História da Ciência, o que Estudar? Parte 2. Alquimistas Célebres, e seu Trabalho.

Azoth, Basile Valentin.
Versão moderna e colorizada, de uma Antiga Ilustração Alquímica, Corpus, Anima e Spiritus, mostrando o princípio Azoth. Fonte da Imagem: Istituto Euroarabo di Mazara del Vallo, Itália. BUCCHERI, R. (2017).

Autoria: Alberto Federman Neto, AFNTECH.

Ampliado em 6 de Fevereiro de 2020.

Neste segundo Artigo, continuamos com nossa série, sugerindo temas para estudo em História da Ciência, mais precisamente História da Alquimia, uma das minhas  especialidades.

Veja a Parte I desta série. Vimos que a Alquimia foi importante para o desenvolvimento da Química

Vamos estudar e falar sobre alguns Alquimistas Famosos, sua História, e seu fabuloso trabalho, rumo à Química.

1. DEFINIÇÕES.

Para que o Leitor possa entender, não é fácil falarmos de alguns desses Alquimistas e Químicos antigos sem citar termos e definições que eles usavam, pois agora elas são obsoletas e mesmo, totalmente desconhecidas do leigo, e mesmo do não versado em História da Ciência.

Azoth.

Um termo em Latim Medieval, que vem da Alquimia Árabe: “Al-zā’būq“, que significa “Azougue”, um antigo nome do metal líquido mercúrio. Com esse nome, o mercúrio ainda é usado em rituais de Magia.

O Estudioso Ocultista e Cabalista Francês Éliphas Lévi (Alphonse Louis Constantestudou e citou o Azoth.

The Essence of Divination, that is to say, the Magical Arcanum, is represented by all symbols of the Science, and is intimately connected with the Doctrine of Hermes. In Physics, the composition, decomposition, recomposition, realisation and adaptation of the Philosophical Mercury, called Azoth by the Alchemists.

Tradução Livre:

A parte essencial do Divino, devo dizer, é o Arcano Mágico, representado por todos os símbolos da Ciência, e intimamente ligado à Doutrina do Hermetismo. Na Física, a composição, decomposição, recomposição, realização e adaptação do Mercúrio Filosófico, chamado de Azoth pelos Alquimistas.

LÉVI, E. “Dogma et Rituel de Haute Magie.” Editora Martinet, Paris, França (1861). E-Book em Português, Várias edições, Livro, exemplar pertencente ao Autor deste Blog: LÉVI, E. “Dogma e Ritual de Alta Magia.Biblioteca Planeta, Editora Três, São Paulo 2 vols. (1973). LÉVI, E.; WAITE, A.E (tradutor) “Transcedental Magic. It’s Doctrine and Ritual.” Editor George Redway, Londres, Inglaterra,  161 (1896):

O Azoth era considerado um princípio fundamental, uma espécie de solvente universal que ia amalgamar os outros elementos, para formar a Pedra Filosofal, capaz de transformar metais comuns em ouro ou prata. O princípio vital dos metais. Também era tido como um remédio universal, para curar doenças. HAUCK, D.W. (2020).

Para os Alquimistas, o Azoth não era o mercúrio normal, mas era extraído dele. Tratando o mercúrio pelo fogo, destilando-o várias vezes. link 6.

Ele combinaria o Espírito Vital, com a Matéria grosseira, melhorando o “Corpo” (substância química) com a qual se trabalhava. Ele uniria as partes do “Corpo”, os Elementos, quanto mais partes e mais unidas, melhor seria o resultado. É uma energia, um princípio de melhoria ou de transformação.

O conceito do Azoth é muito antigo. Ele aparece entre os Alquimistas Árabes, Link 12. Os Cabalistas  Link 4, e os   Alquimistas Europeus. Link 1. Link 2.   3.  Na Índia e Egito, também. A validade dele se estenderia praticamente, até a  época da Química Moderna.

Basta lembrar que Francis Bacon (já um experimentalista , o “Pai do Método Científico”)  ainda tenta  combinar Enxofre e Mercúrio, Links 5 e 92 , para obter Ouro. BACON, F. LASSALES, A. (tradutor). “Ouvres de François Bacon.” Editora:  L. N. Frantin, Dijon, França, Vol. 4 (1799). Tentava provar as Teorias de Geber (Item 3).

Mesmo um dos “Pais da Química Moderna”, Robert Boyle, tentou “multiplicar” ouro, partindo de mercúrio e uma pequena quantidade de ouro. O Experimento foi repetido por Lawrence Principe, um professor de  e História da Ciência, Link 7, da Universidade John HopkinsWOLF, A. (2011). O que ocorre é que forma-se um amálgama de ouro, e este cristaliza.

Amalgama de Ouro.
Reprodução de um Experimento de Robert Boyle. Tentava Multiplicar Ouro, a Partir de Mercúrio. Fonte da Imagem: Larry Principe e Lauren Wolf.

Boyle visava provar teorias de Paracelso (Item 4) e Isaac Newton (Link 11 , 12) Se obteria muito ouro, partindo de pouco ouro (Multiplicação Alquímica). Tentariam obter prata ou ouro, a partir do mercúrio. O resultado é que o mercúrio reduz os sais de prata, produzindo prata metálica, amalgamada e cristalina ( A Árvore Filosófica de Diana).

Nos tempos  já da Química Moderna, Lavoisier inicialmente chamou o Nitrogênio de Azoto, mas pela Raiz Grega “ζωτ(Vida), isto é “Sem Vida”, (Link 8) pois o Nitrogênio não alimenta a Vida. Note a semelhança com Azoth.

Até hoje, os Franceses chamam o Nitrogênio de “Azote” e os Italianos, “L’Azoto”. Portugal também. Links 9 , 10.

O gás foi rebatizado para  Nitrogênio, “gerador de nitratos”. Pelo Químico Francês Jean Antoine Claude Chaptal em 1790. O termo é usado pelos Ingleses, Americanos e nós, os Brasileiros.

Alkahest.

Relacionada ao Azoth, há a ideia do Alkahest. Seria um “Corpo”, substância ou solução capaz de dissolver e fluidificar qualquer coisa. Um “Solvente Universal”. Também um remédio prático.

As diferenças com o Azoth são sutis.  Ambos eram usados como remédios, mais o Alkahest, muito mais usado. Links: 14, 15, 16. Mas tenho em mente que o Azoth seria um princípio hipotético, filosófico e metafísico, que os Alquimistas buscavam extrair do mercúrio, enquanto a Alkahest era uma preparação laboratorial alquímica prática.

Na prática,  as Alkahest, eram soluções alcalinas fortes. Foram descobertas por Paracelso. no século XVI, e estudadas por Francisco Van Helmont.  Paracelso usava uma mistura de Cal Virgem ou Cal Cáustica (hoje, óxido de cálcio), potassa (carbonato de potássio) e álcool.

Ela dissolveria tudo e poderia purificar metais e transformá-los em ouro. Claro que não podia, se pudesse não haveria frasco para conte-la.

O Alquimista Inglês (nascido nas Bermudas, uma colônia Britânica) George Starkey (Eirenaeus Philalethes) descobriu que a Alkahest só dissolvia substâncias compostas. PHILALETHES, E.; WAITE,A.E (Coletor) “The Secret of the Immortal Liquid Called Alkahest.Collectanea Chimica. Edição de (1893).

O Alquimista Flamengo (Belga) Franciscus Mercurius Van Helmont, (filho do famoso Médico e Alquimista Belga Jean Baptiste Van Helmont), Link 17,  modificou a fórmula e criou o seu sucedâneo de Alkahest,  “Álkali Sal“, uma solução de hidróxido de potássio em álcool.

Verificou que ela dissolvia os óleos vegetais, e deixava uma camada líquida. Nessa camada, teria observado a Glicerina, antes de seu descobridor Oficial, Karl Wilhelm Scheele.

Nós os Químicos modernos, ainda usamos hidróxido de potássio alcoólico.

No começo, Alquimia, Filosofia e Religião são bem interligados, mas irão separar-se bastante depois. GREGORY, F. (1995).

2. GREGOS.

Passamos agora a ver, Filósofos, Alquimistas  famosos, e seu trabalho.

Aristóteles. 4 Elementos.

Um Filósofo Grego, aluno de Platão, cujos trabalhos foram inovadores e extremamente importantes para várias áreas de conhecimento,  inclusive a Química.

Para ele, a matéria inanimada e não viva, não adquiria forma… Essa forma vinha de uma “Alma” que criava movimento, e a Vida, o crescimento da plantas e as transformações químicas, vinham desse movimento. Os corpos químicos que podiam reagir, tinham essa “Alma” e eram combinações da matéria com a “Forma”. Hileomorfismo.

Esse movimento partia do “Uno”, do imóvel. Só coisas “vivas” se movimentavam, Por isso, ele criticava a Zenón de Heléia, para quem o movimento era referencial e comparativo. Se você está parado e olha a tartaruga, a tartaruga é mais rápida que você. Não há “imóvel” ou “móvel”, tudo é comparativo. GARDELLA, M. Eidos, 23, 191 (2015).

Em sua obra “Meteorologica“, (350 D.C.) Aristóteles preconiza uma origem comum para todos os metais e eles seriam compostos de 4 elementos: Água, Fogo, Terra e Ar. Em proporções variáveis e características. CLARK, J.R. Traditio, 62, 149 (2006). Aristóteles se baseou nas “4 Raízes” de Empódocles de Agrigento.

Tudo começava quando essas “Raízes” se moviam e o movimento, modificava as proporções das “Raízes” diferenciando os materiais e era causado por duas forças, uma ruim e outra boa. BROFLOVSKI, M. (2014).

É a “Teoria dos Quatro Elementos“, tão conhecida dos Alquimistas e dos Esoteristas. Link 19. Era muito aceita, pelos Alquimistas e considerada incontestável… Links: 27, 28, 29, 30,

Mas a idéia, pelo menos, de 4  ou 5 elementos ou princípios energéticos, mas não necessáriamente materiais, já existia no Oriente. Na China, Judeia, Bizâncio, Tibete, Índia, Japão, etc… HELMENSTINE, A.M. (2019). Links: 57, 58, 59, 60. Link 61.

Demócrito. Atomismo.

Segundo Demócrito, era uma idéia derivada do Filósofo Grego  Leucipo de Abdera (seu professor), que tinha uma idéia de que um pedaço pequeno de matéria, pode ser dividido em duas partes, e novamente dividido, sempre dividido… Porém alguns duvidam que um dia, Leucipo tenha realmente existido. TÉLLEZ, C.A.S. Quim Nova, 15, 95 (1992).

Para Demócrito, se você dividir infinitamente um material, chegará a uma partícula indivisível, chamada de “Átomo”.

Curiosamente, dada à época, e para nós Químicos, acertadamente, Platão critica e modifica a Teoria de Demócrito, dizendo que  dos átomos se arranjariam em formas geométricas características desses átomos! Isso ocorre realmente! Link 20, Link 29. Link 35.

Para Platão, essa beleza geométrica é Divina, e não mundana. Expressa isso, no seu Diálogo Timaeus. Link 21. PLATÃO, “Timaeus, Tradução Crítica e Comentada para o Latim. (1400).

No Timaeus, Platão propõe a existência de um quinto elemento, oÉter“. Link 32. 33.  Seria a “Quintaessência“, dos Alquimistas Europeus.

Platão cita que muitas obras de Demócrito e Leucipo teriam sido queimadas, destruídas. Segundo alguns Autores, teria sido  o próprio Platão a destruí-las. Restaram fragmentos, por isso é tão difícil estudá-las. University of Michigan Press. “Democritus, Death by Philosophy.”.

Aristóteles não concorda e discute muito a obra de Platão, Demócrito e Leucipo e a critica. Link 21. 22. ARISTÓTELES. ROSS, W.D.  (Tradutor) “Metaphysics. . Link 23.

Em princípio, as Teorias de Aristóteles e de Demócrito, são antagônicas. DOWE, M. “The Four Elements and Atomism.” (2018). Mas foram muito importantes para desenvolvimento da Alquimia.

Hermes Trismegisto. Grego?

É um pseudônimo. Não se sabe exatamente quem foi ele…. Para alguns, teria sido o Filósofo Italiano Marsilio Ficino. Ou pelo menos, ele teria traduzido as obras do Hermetismo.

Pelos textos, parece ser  conhecimento de origem Grega, escrito em Grego,  mas o conhecimento exposto chega a tocar a Alquimia ´Árabe e mesmo Hebraica, a Kaballah Mineralis. E a  data dos textos compilados seria na época de Moisés. Link 49. Ou do início da era Cristã. Link 50.

Para muitos estudiosos,  Hermes Trismegisto não seria Grego e sim Egípcio… Link 39. As Principais obras do Hermetismo são a “Tábua de Esmeralda” e o “Corpus Hermeticum“, mas são conhecidos apenas nas traduções iniciais em Latim, e outras traduções. Links: 40, 41, 42, 43, 44. Tradução em Português. Links 46, 47 , 48.

O fato é que a Teoria dos Quatro Elementos e  Alquimia, são citadas na tradição Filosófica Hermética. Link 51. Link 52, 53, 54, 55. Link 56.

Os Alquimistas representavam os elementos por símbolos. Não são ainda “Fórmulas Químicas”. Mas veremos que se tornariam…

Arquimedes de Siracusa.

Arquimedes foi um Filósofo Grego muito profílico, desenvolveu e publicou muitas obras. E tem centenas de invenções. Dedicou-se a muitas Ciências: Física,  Mecânica, Matemática, Astronomia etc…

Para nós, Químicos, ele é importante, pois descobridor da Densidade. MAZALI, I.O. “Determinação da Densidade de Sólidos pelo Máetodo de Arquimedes.” UNICAMP. Link 24SANTOS, C.P.; PEDRO NETO, J.; SILVA, J.N “A Geometria. Arquimedes, Biografia.” Editora Norprint (2007).

3. ALQUIMIA ISLÂMICA. ÁRABES E PERSAS.

Avicena.

O Filósofo Natural e Médico Persa Abu Ali Huceine Ibne Abdala Ibne Sina, conhecido como Avicena, já conheceria a Teoria dos Quatro Elementos, exposta em  sua Obra “De Anima in Arte Alchimiae”. Pelo menos a obra é atribuída a ele. Links: 25, 26,. Mas como viveu no período do ano 1000, já conhecia as obras de Aristóteles. Ele comenta sobre Aristóteles, mas Avicena critica a Transmutação. GUILLAUME, E. et al., J. Fire Scienc. 27, 69 (2016).

Em todo o caso, a importância de Avicena é muito maior em Medicina, do que em Alquimia. MOOSAVI, J. Avicenna J. Med. Biotechnol. 1, 3 (2009). GONZALEZ, C.J. “The Canon of Medicine of Avicenna” Editora: AMS Press, New York, USA (1973).

Geber.

Abu Musa Jabir Ibn Hayyan, conhecido no Ocidente e agora, modernamente, pelo nome latinizado Geber. Foi um Alquimista Árabe (721-815 D.C). Sua contribuição para a Química e a Alquimia, é muita grande. Um dos expoentes máximos da Alquimia clássica do Império Bizantino.

Foi um dos primeiros a sistematizar o que depois seria a Química Analítica Qualitativa. NEWMAN, W.R., “Abū Mūsā Jābir ibn Ḥayyān.” Enciclopédia Britânica Online (1998).

A ele se credita a invenção de equipamentos melhorados para fazer destilações sem perdas, como o Alambique e a Retorta. Também modernizou diversas técnicas de laboratório, como a cristalização, que os Alquimistas chamavam “Fixação”.

Teria descoberto o Ácido Acético (do vinagre) e o Ácido Tartárico (extraído do mosto de vinho). Isolado puro e estudado por Karl Scheele, em 1769. Também o Álcool em forma pura, e descoberta de Geber.

Geber preparou puros (mesmo sem identificar perfeitamente o composto, por isso as descobertas Oficiais são creditadas a outros):  

Bismuto (descoberto por Giorgius Agricola). Enxofre (Hennig Brand), Mercúrio (conhecido pelos Chineses e Indianos, 3000 A.C), Arsênico (descoberto oficialmente por Alberto Magno); Antimônio ( descoberto em forma pura pelo Alquimista Alemão Basile Valentin, 1492, estudado por volta de 1650, por Nicolas Lémery);  O antimônio havia sido obtido impuro por vários Alquimistas como Agricola e Andreas LibaviusLibavius, veja Item 4 neste meu Artigo.

Preparou alguns ácidos inorgânicos nítrico, clorídrico. Teria inventado a Água Régia, mas há dúvidas, pois quase todas as obras originais de Geber, em Árabe, teriam sido traduzidas, modificadas, aumentadas e republicadas nos século XIII e XIV, e são creditadas a Geber, mas escritas por Autor desconhecido; Seriam Pseudo-Geber, portanto. Acredita-se que um honônimo Alquimista Espanhol as Escreveu. Link 75. 76. Links: 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68. Obras de Geber e Pseudo-Geber. Link 73.

Alguns Autores acreditam que as obras “Pseudo-Geber“, tenham sido escritas pelo Alquimista Italiano Paulo de Taranto.

Geber ficou conhecido como o “Pai da Química Experimental“, pois foi um modernizador da técnicas do laboratório alquímico, pelo menos das bizantinas. Link 69.

Geber foi modificador na Teoria também. Acreditava na Teoria dos 4  Elementos de Aristóteles (Item 2), mas já Neoplatônica…. Fogo era Quente e Sêco. Terra era Fria e Sêca; Água era Fria  e Úmida e o Ar, Quente e Úmido. Links: 70, 71. Link 72. Link 74. Quanto mais “Quente” e “Úmido” era um metal, mais nobre. Ouro era Quente e Úmido e o Chumbo, Frio e Sêco.

Ele adicionou outros dois elementos: o “Enxofre Filosófico”, para os materiais combustíveis, e o “Mercúrio Filosófico” para as qualidades metálicas. A diferença entre essas proporções difere um metal do outro, então elas poderiam ser modificadas, transformando um metal em outro… Transmutação.

Razés.

Outro importante Alquimista do Império Bizantino.

Abū Bakr Muhammad ibn Zakarīyā al-Rāzī, conhecido como Razés. Médico, Filósofo e Alquimista Persa (865-925 D.C.).

Descobertas: Descobridor do Ácido Sulfúrico, Vitríolo. MODANLOU, H.D. Arch. Iran Med. 11, 673 (2008). e dos Alúmens.  Melhorou a purificação do álcool e fez uso dele em Medicina. Destilou o petróleo e descobriu o querosene. Preparou muitas tinturas, extratos e essências.

Inventou, básicamente quase em sua forma atual, o Almofariz, os frascos de vidro, as espátulas de laboratório e as ampolas para medicamentos. Links 77.

Se vivesse em época posterior, empírico como Roger e Francis Bacon, mas ao mesmo tempo Racional com Descartes. Veja a Parte 1, desta série.

Ao contrário de Geber, era um crítico de Aristóteles e da “Teoria dos 4 Elementos”.

Para ele, as substâncias, os corpos químicos, eram formados por quantidades variáveis e características de um elemento mais fixo, “Salino” (metálico) e incombustível  e um elemento “Combustível” que podia ser “Oleoso” ou “Sulfuroso”.

Racionalista, separou a Alquimia completamente da Magia, Misticismo e Esoterismo. Para Razés, a Transmutação era impossível ou um embuste. Ele conseguiu colorir a prata de amarelo, e o ouro, de prateado. Embora tenha tentado antes, rejeitou a Transmutação.

4. ALQUIMISTAS EUROPEUS.

Já discutí, em outro Artigo, o trabalho de Alguns Alquimistas Europeus. Roger Bacon, Francis Bacon, Alberto Magno, São Tomás de Aquino

Também Basile Valentin, descobridor do Antimônio. Veja: “Outros Bancos de Dados Internacionais” , neste meu Artigo. 

A imagem que ilustra este Artigo é creditada a ele, no livro: VALENTIN, B. “Azoth, ou le Moyen de Faire l’Or Caché des Philosophes.”  Link 100.Link 101.

Arnaud de Villeneuve, Alquimista Catalão. Item 1, neste Artigo.

Paracelso.

Pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von HohenheimAlquimista e Médico Suiço (1493-1541).

Em Medicina, fez muitas descobertas. Trataremos disso junto, porque a Alquimia de Paracelso deriva muito de seu conhecimento de Medicina.

Ele discordava de uma noção antiga, de que para tratar doenças, você precisava usar remédios que tivesse origem natural, nos seres vivos, como plantas, chás, carvão , chifre de rinoceronte etc… Assim o haviam feito: Galeno, Link 79, 80, Avicena, Link 78 , Hipócrates, os Chineses e os Indianos. Raramente usavam minerais. JACQUART, D. Eur. Rev. 16, 219 (2008). PEMBERTON, R.W. J.  Ethnopharmacol. 65, 207 (1999).

Paracelso parte dos elementos componentes da matéria, para Geber, isto é o “Mercúrio” e o “Enxofre”. e da tradição Hermética. Link 81. Por saber que o corpo humano tem “Sal”, ele o adiciona na lista. “Enxofre, Mercúrio e Sal“. “Teoria dos 3 Elementos“. Nessa Teoria, os elementos são um “Enxofre Combustível” (Energia); um “Mercúrio Regulável” para restaurar a Saúde e um “Sal Fixo” e Permanente.

PARACELSUS, T.; SCHMID, P. (Editor)  “Buch Paramirum“, 1530. Republicado da edição de 1562 (1904). Traduzindo Livre o texto, do Alemão e do Latim, algo como “Livro do Paradoxo”.

Para Paracelso, o corpo do homem e dos organismos vivos também tem esses elementos químicos, e isso em harmonia… o desequilíbrio  causaria doenças. Assim, Paracelso é o iniciador da Medicina Holística  .

Então, ele propõe que Enxofre, Mercúrio e Sal, são remédios!  e que tudo pode ser venenoso, desde que em excesso. Exemplo, pouco sal é necessário, mas muito sal, mata.

De fato ele testa, e animais morrem com mercúrio, enxofre, sal, água, alimentos etc… desde que em doses altas! Propõe então que tudo é veneno, e tudo é remédio e que minerais, pedras e metais, podem ser medicamentos. desde que em doses corretas. E testa.

De fato, hoje se sabe, tudo é veneno. A diferença entre o Remédio e o Veneno é a dose. Por isso, ele é o “Pai da Toxicologia“. Link 84. BROWNING, R. “Paracelsus.” Editora: J.M. Dent CO., London (1898).

De uma certa forma, com ele começa o que seria depois a Alopatia.

Ele usa muitas pedras, metais, minérios, corpos químicos inorgânicos, como remédios. Isso se chama “Iatroquímica”, um tipo de Alquimia Médica e Terapêutica, que ele aperfeiçoou (iniciador, Jean Baptiste Von Helmont). Links: 8284, 85, 86,87, 88, 89, 90, 91. Link 92. DEBUS, A.G. Quim. Nova, 15, 262 (1992).

Ocasionalmente, usou medicamentos orgânicos também. Link 83. Por exemplo, inventou o Láudano (um medicamento feito de ópio, aperfeiçoado pelo Médico Inglês Thomas Sydenham). SILVA, J. (2020).

Visto a Medicina, voltemos à Alquimia. Paracelso então, estabelece a “Teoria dos 3 Elementos”. É a “Tria Prima“. Links 94, 95KAUFFMAN, G.B. Gold Bull. 18, 31 (1995). Outro Livro, obras de Paracelso, exemplar do Autor deste Blog: PARACELSO, T. “A Chave da Alquimia.” Biblioteca Planeta. Editora Três, São Paulo, SP (1973). Links: 94, 95, 96, 97, 98, 99.

Também ele batizou o metal zinco, com o nome atual. Era conhecido desde a Antiguidade, link 93, extraído de um mineral chamado “Blenda”, um sulfeto de zinco natural. Assim como o chumbo, extraído da “Galena” (sulfeto de chumbo).

A Blenda pode cristalizar em forma dourada, por isso, era obtida em alguns experimentos de transmutação. A Pirita (sulfeto ferroso) também é dourada.

CONTINUA, ARTIGO EM EXPANSÃO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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