História da Ciência, o que Estudar? Parte 1. Sugestões e Literatura.

Roger Bacon.
Imagem com Citação Atribuída a Roger Bacon. Fonte: Roger Bacon Context.

Autoria: Alberto Federman Neto, AFNTECH.

Revisto e ampliado  em 9 de Março de 2020.

Este Artigo sugere várias obras, livros, sites, adequados como leitura inicial ou complementar, para quem como eu, se interessa por Alquimia e História da Ciência.

Se você deseja começar a estudar História da Ciência, este Artigo pode lhe ser útil.

1. INTRODUCÃO e MÉTODO EXPERIMENTAL:

A imagem que ilustra este Artigo cita uma frase do Filósofo e Alquimista Inglês Roger Bacon, “Doctor Mirabilis” ( Nascimento: 1210-20 , Falecido em1292), publicada em sua Obra “Opus Tertium” , tradução livre: “Obra em Terceiro Lugar, Obra Complementar”. Publicada em 1268. Links dessa Obra: Link 1, 2, 3. É uma das partes do Opus Majus, “Obra Principal”. LITTLE, A.G., “Parts of The Opus Tertium” (1912). Outro Link. Edição E-Book. BURKE, R.B. “Opus Majus. Translation.; BURKE, R.B.; “Opus Majus. Vols. 1 and 2.” (1928). Opus Majus of Roger Bacon. ;

Sugiro que dê uma olhada na monografia de SANTOS, O.T.L. “Transmutação Alquímica na Obra de Roger Bacon.” (2011). A pólvora era conhecida dos chineses e dos Alquimistas Árabes, mas a fórmula “moderna”, racional, é devida a Roger Bacon. VALENÇA, U.S.; R. Mil. Cienc. Tecnol. 4, 20 (1987). “Roger Bacon and Gunpowder.” Link 11.

Ele agia assim, porque via necessidade de fazer medições e pesar quantidades, para obter reprodutibilidade científica. Dava bastante atenção à Matemática, que achava necessária para todas as Ciências. BELLO, A.L. Hist. Math. 10, 3 (1983).

De fato, até escreveu um tratado de Matemática, o Specula Mathematica . Roger Bacon partia do Empirismo  da Filosofia Aristotélica.

Roger Bacon vê valor na observação emṕírica  (Empirismo) apenas para iniciar as observações do fatos; Propõe o método indutivo, o estudo da Filosofia Hermética, mas não da especulação pura e simples, e reporta que experimentos precisam depois ser feitos para comprovar o observado. TOBES, V. “Trabalho de Conclusão de Curso em História.” (2019).

Desse modo, é um dos pioneiros, iniciadores, do uso do método experimental em Alquimia. THOMRDIKE, L. “Roger Bacon and Experimental Method in the Middle Ages.” Phil. Rev. 23, 271 (1914). RINOTAS, A. Vegueta 17, 161 (2017).

Veja outra frase de Roger Bacon, sobre isso, o valor da experimentação:

Minha tradução livre, do Francês: “L’homme qui apprend doit croire; celui qui sait, doit examiner.“.

O homem que está aprendendo deve acreditar. Aquele que sabe, deve examinar.

Assim, em sua outra obra, atribuída a ele,  Link 9, mas não se tem certeza:  “Speculum Alchemiae“, “Espelho da Alquimia“, Link 10. republicada em 1592, ele faz muitos experimentos e publica receitas práticas, Ex. Link 13,  e começa  a separar  (Link 14) a Alquimia do Misticismo ,da Magia e do Ocultismo. Link 4. 5, 6, 7, 8. Link 12. Então cria uma “Alquimia Prática”, como revela sua frase, a da imagem inicial deste Artigo:

“There is another Alchemy, Operative and Practical, which teaches how to make the noble metals and colors, and many other things better and more abundantly, by art, than they are made in Nature.”

Minha tradução livre: “Então, há uma outra Alquimia, Operacional e Prática, que ensina como fazer pela Arte,  os metais nobres e cores, e muitas outras coisas, melhores e mais abundantes, do que o faria a Natureza.

Roger Bacon elabora experimentos que fazer “metais nobres” (ligas metálicas resistentes e “cores”, mudar a coloração de metais, algo hoje conhecido como Metalocromia.

2. MÉTODO EXPERIMENTAL E CIENTÍFICO. FRANCIS BACON:

Cerca de 300 anos depois de Roger Bacon, outro Filósofo Natural, Alquimista  e Político Irlandês, (ou Inglês, não se sabe ao certo) Francis Bacon (1561 a 1626) (não são da mesma família), retoma o Empirismo como ponto de partida, método indutivo, SILVA, F.M. Urútagua Londrina, 14, 7 (2008).

Francis Bacon propõe um novo método indutivo e critica as observações Aristotélicas (Link 17) e Gregas, mas centra em observações céticas de fenômenos seguida de experimentação necessária. LOPES, R. Cad. Niet. 38, 125 (2017). OLIVEIRA, B.J.N. Diaphonia 1, 2446 (2018).

É  considerado o “Pai do Método Experimental Moderno” e do Método Científico. Obras de Francis Bacon pode ser baixadas aqui.

Sua principal obra é o “Novum Organum, “Novo Método”. Texto em Latim. Tradução em Inglês de FOWLER, T. (1878); Tradução para Inglês de SPEDDING et al. (1863). Livro em áudio. E-Book. Sugiro que leiam a tradução em Português: “Novum Organum. As Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza.”. Edição de 1973, da Editora Vitor Civita. Edição da Coleção “Os Pensadores, 1997”. Outras Edições. Edição de 2014. Edição EletrônicaCAVAGNERO, M. Edição digitalizada pelo grupo Acrópolis. TORRES, A. (2007). EPUB, DocPlayer, LOPES, R. Loc. Cit. , ANDRADE, J.A.R. , Edição de 2002. Link 62 . 63.

Uma citação que gosto muito.  FRANCIS BACON, Novum Organum, 1620. Tradução Livre:

Aqueles que ousaram proclamar a Natureza, como assunto exaurido para o Conhecimento Humano, por mero acaso, por vezo professoral, ou por convicção, causaram grande dano tanto à Filosofia, como às Ciências, pois fazendo valer sua opinião, muito concorreram para interromper e extinguir as investigações.

Tudo o mais que de bom hajam feito, não compensa o que, nos outros, corromperam e fizeram malograr.

O Homem, ministro e intérprete da Natureza, faz e entende, tanto como constata, pela observação dos fatos e experimentação dos fenômenos. Não sabe, e não pode mais.

No trabalho da Natureza, o Homem não faz mais do que unir ou apartar os corpos, o restante realiza-o a própria Natureza, pois a Natureza não se vence, senão quando se lhe obedece.

Até hoje estudamos a Natureza.

Comparemos um pouco Roger e Francis Bacon. HOCHBERG, H. Phil. Scienc. 20, 313 (1953).

Enquanto Roger Bacon observa por dedução empírica e depois “matematiza” muito, antes de experimentar, agindo muito racionalmente, Francis Bacon critica o Racionalismo Cartesiano do Filósofo e Matemático Francês René Descartes.

Para Francis Bacon, mas não para Roger Bacon ou para Descartes, é preciso primeiro induzir, e não racionalizar tudo…. LANGARO, P. “Francis Bacon e o Empirismo.” (2010). O Racionalismo e o conhecimento vem, mas é com a experimentação. Link 19.

Para Roger Bacon, a verdade só vem após observarmos e fazermos experimentos, mas para Francis Bacon, o conhecimento vem da Natureza, devemos induzir, fazer nossa próprias observações, e depois os experimentos (Link 20). Ambos são  ambos são Empiristas. Podemos considerar R. Bacon com um dos iniciadores do “Método Experimental”, F. Bacon é o “Pai do Método Científico“.

 Enquanto Francis Bacon critica a Filosofia Aristotélica, Roger Bacon, não o faz. necessariamente sempre. Link 31.

Para R Bacon, Deus ilumina o Espírito Humano, para que o Homem adquira conhecimento. CAMPOS, S.A.B “Roger Bacon, Reformador e Tradicionalista.. Como para os Aristotélicos, Intuição… PIETKA, D. Organon (2015). E Raciocínio Dedutivo. Já para F. Bacon, o raciocínio é Indutivo. Compare os dois. Link 21.  Enquanto Aristóteles e Roger Bacon são Metafísicos, Francis Bacon é Pragmático.VERDEJO, A.E. Alpha, 43, 259 (2016).

Após Francis Bacon, a Alquimia se “moderniza” e inicia-se o que depois seria a Química.

3. ALBERTO MAGNO E ALQUIMIA. AFINIDADE QUÍMICA:

 Santo Alberto Magno. Doctor Universalis.

Foi um Bispo Católico, Filósofo, Teólogo e Alquimista Alemão. Viveu entre 1193 e 1280.

Roger Bacon criticava a ele e ao seu discípulo, Link 46, o Padre Italiano São Tomás de Aquino, pela excessiva Metafísica, pois desprezavam conhecimento  que pudesse vir pela razão. Também  pelo excessivo apego às teses aristotélicas. Link 45. AQUINO, T.; MEYRINQ, G. (Comentarista) “Tratado da Pedra Filosofal.AQUINO, T. “Tratado de Alquimia..

Leia NASCIMENTO, C.A.R. Transformação, 5, 107 (1982). é uma tradução comentada da obra “De Animalibus“. Outra tradução, esta, em Alemão: Link 48, 49.

Alberto Magno dedicou-se muito à Filosofia e várias ciências, dentre elas a Alquimia. Também estudou Magia e Astrologia. PORRECA, D. Labyrinth, Universidade de Waterloo, Canadá (2019).

Embora influenciado por Aristóteles, suas ideias são muito inovadores e não são dogmáticas. Exemplar de livro do Autor deste Blog: FARIAS, R.F. “História da Alquimia.” Editora Átomo, Pág 55 (2011).

A ele se atribui o Grimório (livro de magia medieval) “Magiae Naturalis, Egyptian Secrets of Albertus Magnus.Edição em Alemão de 1919 . Links: 39. 40, 41, 42.

De fato, embora livros de Magia, alguns Grimórios são interessante para estudos de História da Ciência, pois contém receitas de Alquimia e Química e Teses Filosóficas interessantes.

Exemplo. “Le Grand Grimoire” (1522, 1629?), “O Grande Grimório“, atribuído ao Papa Honório III. Na realidade, o Grande Grimório é apócrifo e não se sabe ao certo a data de sua publicação.

Ele contém uma receita de cola para porcelana, a base de clara de ovo e cal (os Alquimistas sabiam que clara de ovos pode colar porcelana). Eu tenho um exemplar: “O Grande Grimório do Para Honório“, pág 136. Há outra edição, da Saraiva.

As obras de Alquimia de Alberto Magno são várias. Link 33. Link 34.  Link 37. , Link 51. Embora existam algumas supostas, apenas atribuídas a ele. Obras de Alberto Magno, que foram traduzidas para o Português, podem ser achadas na Estante Virtual.Link 47.

A ele se credita a descoberta do Arsênico e do elemento químico Arsênio. Links 22, 23, 24, 25. Também ele teria observado que o nitrato de prata escurece com a luz.

Mas a grande importância, contribuição de Alberto Magno para a Alquimia e a História da Ciência, é porque, ele, pela primeira vez em 1250,  definiu “Afinidade Química”, a força diretora que faz com que substâncias químicas possam reagir entre si. Links: 26, 27, 28, 29, 30, 32, 35, 36, 38  .  JUSTI, R.S. Quim. Nov. Esc. 7, 26 (1998) . ARAÚJO NETO, W.N.; SANTOS, J.M.T. Atas ENPEC.

Ele define a afinidade química em uma de sua obras, “De Mineralibus” , tradução em Inglês: MAGNUS, A.; WYCKOFF, D. (Tradutora) “The Book of Minerals.” Clarendon Press, Oxford (1967). Edição de 1495. Edição de 1494. Edição de 1519. Edição de 1568. Outras Edições.

Histórica edição que tem obras de Alberto Magno: Uma coletânea, Imperador FRIEDRICH II, da Alemanha, “Reliqua Librorum Friderici II, Imperatoris.” Tradução Livre: “Relíquias da Biblioteca do Imperador Frederico II” (1596).

Nesse livro De Mineralibus,  ele Onde afirma que as pedras e os minerais, os corpos inorgânicos ,tem uma força ou poder, de per si. Que as faria reagir.

Outra obra dele sobre isso. Uma tradução muito antiga, “The Virtue of The Precious Stones.” Veja FARLANG TEAM (2017).

Esse conceito de Afinidade Química foi estudado em detalhes e muito ampliado por vários Químicos e Alquimistas dos séculos XVII e XVIII, dentre eles Joseph Black, Robert Boyle, Charles Gay-Lussac, Isaac Newton, Lavoisier, Éttiene Geoffroy e George Stahl.

Do conceito inicial de Afinidade Química, de Alberto Magno, derivaram os conhecimentos de compostos que reagem entre sí (reatividade), as teorias da valência, a energia livre etc…. LINDAUER, M.W. J. Chem. Educ. 39, 384 (1962).

Também teria sido ele, em sua obra: MAGNUS, A.; BEST, M.R. (tradutor) “Secrets of the Virtues of Herbs, Stones and Certain Beasts“, Londres, edição de (1604). . Re-edição de 1973. Links: 40, 41, 42, 43, 44, quem teria isolado, pela primeira vez, compostos alcalinos das plantas, reconhecendo-os como álcalis. São os hoje chamados alcalóides. Livro, exemplar do Autor deste Blog: BRANDÃO, A.S. “Iniciação Chimica.” Editora Melhoramentos, São Paulo, S.P. (1932).

Após a descoberta da Morfina, em 1804, pelo Químico Alemão, Friedrich Wilhelm Adam Serturner, Os outros alcalóides foram extensamente descobertos e estudados, principalmente pelos Químicos Franceses Pierre Joseph Pelletier e Joseph Bienaimé Caventou.

4. OPERAÇÕES ALQUÍMICAS. TRANSMUTAÇÃO. DA ALQUIMIA À QUÍMICA.

Muitas vezes, até o leigo tem uma visão sobre isso.

. Alquimistas dedicavam-se a experimentos de Transmutação.  através deles, visavam transformar metais comuns, como ferro, chumbo em metais raros, caros e valiosos, como prata e ouro…. Chamados METAIS NOBRES.

Essa ideía atraiu muitos aventureiros… pseudo Alquimistas, que só visavam enriquecer… e deu à Alquimia, uma má fama, injusta, de ser pseudo ciência! Link 63, 65.

Principalmente após as correntes filosóficas positivistas Link 66, e racionalistas, como do Filósofo (nascido Austríaco, naturalizado Inglês)  Karl Raimund Popper e do Francês Isidore Auguste Marie François Xavier Comte. JOHNSON, M. JAN, 30, 67 (1999).

Positivistas e Racionalistas rejeitam a percepção Empírica e a Observação Indutiva, que como vimos, foram fundamentais na Alquimia.

O mais famoso desses pseudo Alquimistas , foi o Médico,  Mágico e Ocultista Italiano Giuseppe Balsamo, (nome completo) conhecido como Alessandro, Conde De Cagliostro. Link 62.

Entretanto, a luz dos estudos de História da Ciência, Alquimia nada tem de “falsa ciência”! Link 64. Muitos verdadeiros Filósofos Naturais e Alquimistas, eram movidos pela curiosidade e sede de conhecimento de Filosofia e da natureza  da matéria e suas transformações. Buscavam conhecimento, muito mais do que dinheiro! Existiram muitos verdadeiros Alquimistas.

A Química moderna, portanto deriva da Alquimia e deve muito a ela. Por definição (moderna) “Química é a Ciência que estuda a matéria e suas transformações” .

Foram os Alquimistas que descobriram as “Sete Operações Fundamentais da Alquimia“, Que são operações, procedimentos laboratoriais, que nós, os Químico modernos, até hoje fazemos no laboratório. São elas:

Calcinação. É o aquecimento  direto de um material sólido. Uma substância, simples ou composta (chamamos modernamente composto). No tempo da Alquimia, e até o século XVIII, chamado de “Corpo”.

Dissolução. Consiste   em dissolver, ou fluidificar, um sólido em um solvente, ou realizar um ataque ácido de um metal ou mineral.

Separação. Hoje, chamamos “Isolamento” ou “purificação”. Separar um composto, produto de uma reação, ou purificá-lo.

Conjunção. É colocar os corpos químicos em contacto, para que reajam entre sí. Hoje chamamos simples de “Reação” entre as substâncias. Os Químicos Europeus dos séculos XVII e XVIII, chamavam de “Combinação”, “corpos que se combinam”.

Decomposição ou Putrefação. Fermentação. O sentido é intuitivo e fácilmente perceptível. Deixar que um material apodreça, se decomponha ou fermente, de modo a formar outros compostos. Hoje diríamos “produtos de fermentação ou de decomposição”.

DestilaçãoTambém aqui o sentido é senso comum. Todos sabemos o que é destilação. Com ela preparamos, por exemplo o etanol combustível, e a gasolina.

Coagulação. Hoje chamamos de “Precipitação”, “forma-se um precipitado”… Formar um material sólido, a partir de um ou mais materiais ou soluções líquidas. Também a “evaporação” “concentração” de uma solução para isolar um sólido, é uma coagulação.

Há outras operações e termos acessórios, como “Fixação” e “Condensação” de vapores, são citados, por exemplo por Francis Bacon. “Fixação” é o quanto uma substância química é fixa, isto é não volátil. Exemplo, ácido sulfúrico (para os Alquimistas, Vitríolo, para os Químicos do tempo de Lavoisier, ácido vitriólico) é fixo, ácido nítrico (água forte) é volátil. E condensação é a condensação dos vapores de uma destilação. Também fixação se assemelhar à coagulação, mas com a idéia de que o todo é liquido, e vai formando um sólido. tipo a cristalização de um sal por evaporação da solução aquosa.

Digestão é quando um material é digerido ou macerado por alguma coisa, tipo quando se faz uma tintura vegetal. Sublimação é intuitivo, é a passagem de um sólido direto para o estado gasoso, e depois sólido de novo, como para purificar o iodo e a cânfora.

Incineração, Queimar algo, reduzir a cinzas. Os Alquimistas usavam isso da deflogisticar, remover Flogisto. Também, para combinar o elemento inicial “mercúrio dos filósofos” com o fogo e produzir “enxofre”.

Desse modo a Alquimia, principalmente prática, laboratorial, foi extremamente importante para o desenvolvimento da Química e com esta  é interligada.

Estamos começando a ver que  Alquimia e Química, não são dissociadas, e que a Alquimia não era uma “Ciência Falsa”. Para não complicar, não trataremos aqui neste Artigo, dos significados Filosófico, Esotérico e Psicológico dessas operações alquímicas.

Origem da Alquimia. ALFONSO-GOLDFARB,A.M.; FERRAZ, M.H.M. ComCiência, 130 (2011). LIMA, T.A.; SILVA, M.N. “Sobre o Texto: A Arte da Alquimia, de São Tomaz de Aquino.” Anais Museu Paulista 9, (2003). VARGAS, N.A. Junguiana, 35, 69 (2017).

Sabe-se hoje que já existia “Alquimia”, no Egito Antigo (Links 45, 46, 47) (Metalurgia Egípcia) na China (link 61), na Índia (Links 48, 49) , na Babilônia, e entre os Hebreus, Mesopotâmia Links 50, 51) (Kabbalah Mineralis) Links 52, 53, 54.

Mas o termo “Alquimia”, surgiria entre os Árabes, os Persas. Império Bizantino. A Alquimia Árabe, junto à tradição greco-romana, é a origem da Alquimia Européia. Alquimia vem da palavra árabe “Al-Kĩmiyã” .

Voltemos à Transmutação. o termo ” transmutação” aparece entre os Alquimistas Árabes, mas também entre os Filósofos gregos. Links: 55, 56, 57. Na definição vulgar, seria transformar um metal menos nobre, em ouro ou prata. Isso seria feito através de uma hipotética e simbólica “Pedra Filosofal“.

Mas os textos alquímicos mais antigos, eram simbólicos, e não raro. totalmente pictóricos. Só imagens. Químicamente, pode significar transformar um elemento químico em outro. Tipo as modernas pesquisas de radioatividade artificial, são transmutações.

Mas, por outro lado, para os alquimistas, simbólicamente, todo líquido incolor era uma “água”, todo carbonato ou óxido uma “cal”, todo metal amarelo, “ouro”… Assim, simbólicamente, de maneira simples, toda transformação química de uma substância pode uma transmutação. Links: 58, 59. Exemplos, veja em Roger Bacon e em Francis BaconBREHM, E. Ambix, 23, 53 (1976). Link 60. Exemplo, Francis Bacon tenta converter metais em ouro.

Assim, colorir um metal em cor diferente (Metalocromia), ou fazer uma liga metálica amarela, isolar e purificar prata e ouro, seriam “transmutações”.

Ainda, lembre que METAIS NOBRES, não são só metais raros e caros, mas em termos de Alquimia e Química, significam também metais mais resistentes, mais difícilmente atacados por ácidos ou reagentes químicos. Hoje diríamos, metais mais estáveis, menos reativos.

Assim “transmutação” pode significar simplesmente transformar um material em outro, usando energias naturais, como calor. Isso foi Alquimia, agora Química. Por exemplo, o clássico experimento da “Chuva de Ouro” (iodeto de chumbo), que revisei e otimizei (veja Item 2, deste Artigo), pode ser chamado uma transmutação.

5.CONCLUSÃO.

Espero ter dado uma ideia ao Leitor, do que ele pode ler ou estudar, se tiver interesse em História da Ciência, da Química ou da Alquimia.

Aguarde a segunda Parte deste Artigo.

 

 

 

Uma resposta para “História da Ciência, o que Estudar? Parte 1. Sugestões e Literatura.”

  1. Muito bem elaborado Dr. Alberto. A sequência de links deixou livre para os leitores decidirem para qual lado da pesquisa eles desejam ir.

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