História dos Antissépticos e dos Desinfetantes.

Listerine
Réplica da Antiga Garrafa do Antisséptico Listerine, 1879. Fonte da Imagem: History of Listerine.

Autoria: Alberto Federman Neto, AFNTECH.

Atualizado em: 12 de Dezembro de 2019.

Este Artigo revisa a História dos Antissépticos, dos Enxaguatórios Bucais  (antigamente chamados Colutórios) e dos Desinfetantes.

Para um apanhado geral, veja: DOMINGUES, P.F. “Desinfecção e Desinfetantes”.

1.  DA ANTIGUIDADE AOS MICRORGANISMOS. ELES PODEM CAUSAR DOENÇAS:

As doenças infecciosas são conhecidas desde a Antiguidade. Já eram reportadas por exemplo pelos Egípcios, Hebreus, Europeus, Africanos etc.. mas sua causa não era conhecida.

Muitas doenças infecciosas eram conhecidas na Antiguidade, mas algumas nem tinham o nome atual. Conhecia-se, por exemplo: a Sífilis (depois estudada por Fracastoro, veja abaixo); a Peste Bubônica, a Varíola, o Cólera, o Botulismo, o Carbúnculo, a Lepra (Hanseníase), Gangrena, Tétano etc… Obviamente, algumas eram causadas por vírus, e não bactérias ou protozoários, mas sobre isso nada se sabia…

Cria-se que as doenças infecciosas, no geral eram causadas por “Miasmas“, ar ruim, vapores ou “Castigo de Deus“.

O primeiro que anteviu que  as doenças infecciosas podiam ser causadas por algo no ar, por mudanças de clima, ou por fatores vindos do ambiente. em resumo, por algo natural,  externo e vindo do ambiente, foi o Filósofo Grego Hipócrates da Tessália. Inicialmente, ele acreditava que algo do ar ou ambiente, se alojava “nas tripas”  ao nascer, e isso causava a doença , no futuro. Isso foi por volta de 254 A.C.

Ele é considerado o “Pai e o Patrono da Medicina”, pois foi ele quem separou a Medicina da Filosofia, além de suas Teorias serem muito inovadoras para a época.

BRACHMAN, P.S. Int. J. Epidem., 32, 684 (2003).  FERREIRA, L.A.P. Tese de Doutorado em Enfermagem, UFSC (2008). Contudo, foi o Filósofo Natural e Poeta Italiano Girolamo Fracastoro em 1546, na sua Obra “De Contagione et Contagiosis Morbis” Tradução Livre: “Sobre o Contágio e as Doenças Contagiosas”, quem propõe que as doenças infecciosas seriam causadas por “germes” (depois chamados “micróbios”) e teoriza os fenômenos do contágio. Esta é a Edição de 1550, por BACQUENOIS, Nicolas. Fracastoro estudou muito a Sífilis, e propôs o nome para a doença.  ECHEVERRIA, V.I. Hist. Ciênc. Saúde Manguinhos, 17, 877 (2010). 

Mas ver os “germes”, “micróbios”, microrganismos, só seria possível após a invenção do Microscópio. O primeiro aparelho que foi um microscópio, mas ainda rudimentar, foi construido pelo alemão Hans Lippershey , Mas os primeiros microscópios compostos foram fabricados pelo Ótico Holandês Hans e seu filho, Zacharias Jansen, em 1590.

O microscópio composto seria aperfeiçoado pelo  Filósofo Natural Inglês Robert Hooke, quase 100 anos depois. Com ele, descobriria as “células” dos seres vivos.  Ele também descobriu a estrutura da cortiça. Ele é o fundador da  Ciência da Microscopia, em sua obra fundamental, “Micrographia“. Projeto Gutemberg, 2005. ALMEIDA, A.V.; MAGALHÃES, F.O. Scienti. Stud. 8, 367 (2010). Os microscópios de Robert Hooke já parecem um pouco com os atuais, veja. MILLER, M. Microscópio (1999). O’DWYER, N.C. Proc. Eur. Soc. Aesth. 8, 354 (2016).

Falando em microscópio, o meu é um Coleman, Americano, modelo 16-A, igual a este. Características dele e fotos .

 

É um microscópio simples, monocular, mas com recursos sofisticados, antigamente só achados em microscópios profissionais. Tem 3 Oculares, tipo Huygens, (Astrônomo Holandês Christaan Huygens) Revólver para 3 Objetivas, vem com quatro Objetivas acromáticas tipo Spencer, incluindo uma de imersão, Condensador tipo Abbe, parafusos macrométrico e micrométrico, iluminação com filtro, diafragma iris, platina móvel com Charriot  e escala Vernier. Link 2. (Matemático Francês Pierre Vernier) Aumento máximo: 1200-1600 vezes, com objetiva de imersão.

Um microscópio do século XIX, bonito, dourado:

 

Microscopio
Um Microscópio do Século XIX. Fonte da Imagem: Antique Atlas.

J. Bras. Patol.  Med. Lab. 45 (2009). De forma independente, depois de 1670, trabalhando com um microscópio simples,  (Link 2) mas com uma lente única, muito aperfeiçoada, o Naturalista Holandês Antonie Phillipe Van Leeuwenhoek, descobriria os microrganismos (os chamou “micróbios“) , os espermatozoides, os organismos unicelulares e os glóbulos sanguineos. Microscópios do tipo dos dele são bem raros. FORD, B.J. Microscope, 63, 35 (2015). CABEZA, M.A. Aportaciones de Robert Hooke e Antonie Van Leeuwenhoek a la Teória Celular (2014).

Hoje se sabe que os antigos “micróbios” são as bactérias e os protozoários.

Desde cerca de 100 anos após Fracastoro, confirma-se que os microrganismos podem causar doenças, mas mesmo assim, quase nada era feito para evitar infecções, até Lister. PITT, D.; AUBIN, J.M. Can. J. Surg. 55, E8 (2012).

2.  GERAÇÃO ESPONTÂNEA E PASTEUR:

Pela época de Fracastoro, por volta de 1550, já se acreditava desde os tempos Link 2, de Aristóteles,  que os animais, incluindo os microrganismos, eram gerados espontaneamente, a partir da matéria inanimada. Teoria da Geração Espontânea.

A Teoria era amplamente aceita e inquestionável, para a época. Aceita por muitos Filósofos Naturais famosos, como o Belgo-Holandês Jan Baptiste Van Helmont, (inventor da “Cuba D’Água”, e um dos primeiros que recolheu gases). Também o Médico e Anatomista Inglês William Harvey (descobridor da circulação fechada dos mamíferos e que o sangue circula por veias e artérias).

A Geração Espontânea começou a ser questionada após os experimentos (1668) do Médico Italiano Francesco RediLink 2. Quando o caldo de cultura era fervido, esterilizado, não se produziam mais microrganismos….

O Filósofo Natural e Biologista Italiano Lazzaro Spalanzani  havia observado que os microrganismos morriam com a ebulição,  mas no começo (como Redi),  acreditava que os seres vivos, microrganismos, é que carregavam uma “Força Vital”, destruída pela ebulição,   e sem ebulição, e em presença de minerais suficientes, podiam gerar mais microrganismos.

Com mais experimentos, ele também rejeitou a geração espontânea. Obra: “Saggio di Osservazioni Microscopiche sul Sistema della Generazione de’ Signori di Needham e Buffon.” (1765). republicada em:  Societá Italiana di Biochimica e Biologia., “SAPIENZA”, Universitá di Roma, Itália.

A Geração Espontânea foi definitivamente derrubada pelo Químico Francês Louis Pasteur. 1859 a 1861. A esterilização, “Pasteurização” matava os microrganismos do ar, e só havendo contaminação por fator externo, é que se proliferavam mais microrganismos. PASTEUR, L. “Sur Les Corpuscules Organizés Qui Existant Dans LAtmosphère. (1861).

Apesar disso , contemporâneos de Pasteur não concordavam.  Apoiado nas ideias de  Redi, um Biologista Inglês, o Abade John Turbenville Needham, adepto da Abiogênese (uma modernização da Geração Espontânea) questionava os experimentos de Pasteur, porque dizia que a ebulição do caldo de cultura “matava a força vital” e por isso,  os microrganismos não surgiam no caldo esterilizado. NEEDHAM, J.T. Phil. Trans. 45, 615 (1748).

Também o Médico Francês Félix Archimède Pouchet, não acreditava em Pasteur e era adepto da Geração Espontânea. POUCHET, F.A. “Hétérogénie. Traité de la Génération Spontanée.” Tradução Livre do Autor do Blog: “Heterogenia. Tratado da Geração Espontânea.” Editora: J.B. Baillière et Fils, Paris, França (1859).

Mas de acordo com alguns autores modernos, os experimentos de Pasteur não seriam por si só , suficientes para derrubar definitivamente, na época, a geração espontânea. MARTINS, L.A.C.P. Fil. Hist. Biol. 4, 65 (2009). Não que a Teoria fosse verdadeira, mas os autores entendem os pontos pelos quais Pouchet e Needham podiam, naquela época,  questionar a Pasteur.

Curiosamente, até os dias atuais  há alguns defensores da possibilidade de Geração Espontânea.  Afirmam que Peritonite pode se desenvolver em pacientes com Cirrose, sem perfuração do intestino e sem contato sanguíneo. Veja em: REUBEN, A. Hepatology, 40, 1478 (2004). CONN, H.O. Ann. Int. Med. 60, 538 (1964).

Pasteur estudou as fermentações, algumas doenças como a Hidrofobia, o que estragava os vinhos etc… Em um seu Artigo clássico, “Recherches Sur La Putrefáction.”, Pasteur confirma que os microrganismos podem causar infecções,  e doenças, e precisam ser evitados, mortos ou inativados. PASTEUR, L. Compt. Rend. Acad. Scienc., 56 ,  1189 (1863). Assim, foi ele quem definitivamente associou microrganismos a determinadas moléstias infecciosas.

Concordaram muitos, sobre microrganismos causarem doenças, após Pasteur, muitos cientistas, como o Bacteriologista Alemão Heinrich Hermann Robert Koch, descobridor do bacilo da tuberculose, o Médico Francês Pierre Paul Emile Roux,  do Bacilo da Difteria e o Bacteriologista Ucraniano Ilya Ilyich Mechnikov, que descobriu como os glóbulos brancos destruíam as bactérias, Fagocitose. KRUIF, P. Loc. Cit., Item 5. Inclusive, Koch reforça “Teoria dos Germes”, que seria plenamente aceita depoid de 1880. BUERKI, R.A. Pharm. Hist. 13, 158 (1971).

3.  LISTER E ASSEPSIA CIRÚRGICA. OS PRIMEIROS ANTISSÉPTICOS:

Embora já houvessem menções a usar alguns antissépticos tópicos, como os hipocloritos, a desinfecção e a assepsia, limpeza dos hospitais, não era rotineiras, até Lister.

O Cirurgião Inglês Joseph Lister, havia lido os  clássicos trabalhos de Pasteur e reconhecera a presença dos microrganismos na Gangrena, e desconfiava, na Sepse. Por isso, resolveu limpar e esterilizar instrumentos, roupas cirúrgicas e a pele, o campo operatório.

Em 1867, pela primeira vez, ele usa um antisséptico cirúrgico. LISTER, J. Brit. Med. J. 2, 246 (1867), republicado por Clin. Orth. Rel. Res. 468 , 2012 (2010). LISTER, J. Lancet, 90, 353 (1867).

Ele usou um composto orgânico, o Fenol, chamado “ácido fênico” ou “ácido carbólico”.

O Fenol foi observado pela primeira vez nos produtos de destilação do alcatrão da hulha, pelo Alquimista Alemão Johann Rudolf Glauber em 1650.

Obra, Livro: “Furni Philosophici Oder Philosophischer Oefen Fünfter Theil : Darinnen von des Fünften Ofens wunderbahrlichen Natur vnnd Eigenschafft/ deßgleichen auch etlicher nothdürftigen/ zu den vorhergehenden vier Oefen gehörigen Instrumenten vnd Materialien/ leichtliche zurichtung vnd bereittung” (1649). Tradução Livre, automática, do Título: Fornos Filosóficos ou Filosofais. Quinta Parte: Sobre a Quinta Fornalha, de Natureza e Caráter milagrosos. Também de alguns dos instrumentos, Aparelhos  e Materiais Necessários Pertencentes aos Quatro Fornos e Materiais Anteriores .”

Isolado em forma pura e estudado em detalhes pelo Químico Alemão Friedlieb Ferdinand Runge, que lhe deu o nome de Ácido Carbólico (1834).  RUNGE, F.F.  An. Phys. Chem. 31, 65 (1834).

Os nomes “Fenol” e “Ácido Fênico”,  lhes foram dados pelos Químicos Franceses Charles Frédéric Gerhardt e Auguste Laurent, que o classificaram entre os derivados do benzeno, e o fabricariam em escala comercial após 1860.  LAURENT, A.  An. Chim. Phys., Série 3, 3, 195 ( 1841). LAURENT, A. An. Chim. Phys. 63, 27 (1836). GERHARDT, C. An. Chim. Phys., Série 3, 7, 215 (1843).

O primeiro antisséptico usado em cirurgias. Também era usado, na forma de vapor, para esterilizar os ambientes. Assim, pode ser considerado o primeiro desinfetante. Quando eu era menino, nos anos 60, o Ácido Fênico ainda era comum em Farmácias, eu comprava para meus experimentos.

Ainda usado em Dermatologia, mas precisa cuidado, por ser muito cáustico. BATISTUZZO, J.A.O.; ETO, W.; MASAYUKI, I. “Formulações Magistrais em Dermatologia.” Editora: Atheneu. , 5a Ed. (2018).

Outro desinfetante para pisos, ainda hoje usado, é a base de sabão de Creosoto, cresóis (fenóis metilados). Vocês conhecem, é a Creolina. É muito antiga, 1880, e de origem Inglêsa, mas a marca Creolina é Italiana.

Também o Lysol, em sua fórmula antiga, continha cresóis. Desenvolvido em 1889, pelo Farmacêutico Alemão  Gustav Adolf Raupenstrauch. O Lysol moderno contém cloreto de benzalcônio (um quaternário de amônio) e água oxigenada.

Derivados do Fenol, como o Timol (um fenol alquilado extraído do orégano e do tomilho) são usados até hoje, como bactericidas, em enxaguatórios bucais, como o Listerine (Item 10)

Por ter sido o primeiro antisséptico, o fenol foi usado como um padrão para testar antissépticos. Tipo “algo é mais ativo ou menos ativo que o fenol“. Se chamava “Coeficiente Fenólico“. Foi desenvolvido por RIDEAL, S.; WALKER, J.T.A. J. R. Sanit. Inst. 24, 424 (1902). TIMENETSKY, J.; ALTHERTHUM, F. Rev. Saúde. Publ. 23, 170 (1989).

Hoje tem importância apenas histórica, porque nem sempre funcionava com precisão. Exemplos: PHELLPS, E.D. Am. J. Pub. Healt. 3, 53 (1913). TILLEY, F.W. Am. J. Pub. Healt. 11, 513 (1921).

Se descobriu que o Fenol não tem ação antisséptica tão pronunciada, pelo menos não em solução diluída. Por exemplo, TAYLOR, H.D.; AUSTIN, J.H. J. Eur. Med. 27, 375 (1918).

De fato, os fenóis clorados e nitrados são antissépticos muito mais ativos que o próprio fenol. Descobriu-se por Substituição Bioisostérica. SUTER, C.M. Chem. Rev. 28, 269 (I941). VON OETTINGEN, W.F. Nat. Inst. Health. Bull. 190, 1 (1949).  VÁRIOS AUTORES, Pub. Health. Bull. (1941).

Mas há fórmulas clássicas (agora obsoletas), de pomadas de fenol e naftol. Como a francesa, famosa  “Pasta Antisséptica de Calot”. Do Médico Francês François Calot. Citadas em Livro.  do Autor do Blog: LUCAS, V. “Formulário Médico Farmacêutico Brasileiro.” , Editora Científica, Rio de Janeiro, R.J.  2a Ed., pág. 248 (1959).

Ácido pícrico (trinitrofenol) foi usado  como antisséptico (CHERON, J. J. Therap. (1880), VON OETTINGEN, loc. cit.) . THOMAS, J. “Contribution à L’Etude de Traitement des Urétrites par le Protargol e L’Acide Picrique.” Carré et Naud Editores, Paris, França (1899).

E para tratar queimaduras, evitando infecções. Ainda se usa o Picrato de Butesin, onde o ácido pícrico está ligado a um anestésico local.

Nos anos 50 e 60, no Brasil, havia um desinfetante para instrumentos cirúrgicos, a base de paraclorofenol. Se chamava “Espadol“. Eu lembro, porque meu Pai, Médico, usava. Hoje, o Espadol existe na Argentina, mas é feito com cloroxilenol (fenol bismetilado e clorado).

Ocasionalmente, paraclorofenol ainda é usado como antisséptico em Odontologia. SILVA, E.J. N. L et cols. Rev. Bras. Odont. 69, 255 (2012). Assim como fenóis benzilados e fenilados.

O paramonoclorofenol canforado foi introduzido pelo Dentista Alemão Friedich Otto Walkhoff . Em 1891. Link 2. Ele também foi um dos primeiros a fazer radiografias dentárias. Também o primeiro a usar iodofórmio em Odontologia.

WALKHOFF, O. Livro: “Gutachten über die Wirkung des Chlorphenol-Kampfer-Menthols.Tradução Livre do Título pelo  Autor do Blog: “Reportos do Efeito do Clorofenol Canforado e Mentolado.” Edição de (1930).

Ainda hoje se emprega em Odontologia, como antisséptico de canais dentários, o paramonoclorofenol canforado. BYSTROM, A.; CLAESSON, R.; SUNDQVIST, G. Endod. Dent. Traumatol. 1, 170 (1985). Link 2.

Um derivado do fenol clorado, comum nos anos 60 (mas descoberto em 1937), o Hexaclorofeno,  foi usado como desinfetante e antisséptico, em sabonetes, pastas de dente etc… até a década de 70. Depois foi banido, por ser tóxico e causar alergias e se ingerido, danos cerebrais. Lembram de “Signal, com Hexaclorofeno nas listas vermelhas” ?

Foi substituído por outro derivado do clorofenol, dos anos 60 (patenteado em 1964, pela emprêsa suiça Ciba-Geigy) PARKASH, A.D.V. Patente Alemã, DE1545670A1 (1964).

o Triclosan,  foi usado em hospitais e muito usado em sabonetes bactericidas.  Hoje ainda é usado, mas  para uso tópico,  em desodantes. Pois em sabonetes,  e outros produtos, está banido. É permitido em cremes dentais, em pequena concentração.

Mas está suspeito de causar resistência bacteriana. Além de ser poluente, pois não se degrada. Há pesquisadores porém qu o consideram eficiente e seguro. JONES, R.D et al., Am. J. Infect Cont. 28, 184 (2000).

Até aqui, vimos antissépticos e desinfetantes derivados de fenol.

4.  DERIVADOS DE CLORO E HIPOCLORITO:

Embora o ácido clorídrico aquoso concentrado (um dos reagentes principais qye nós, Químicos, usamos) fosse conhecido desde a Alquimia, descoberto ,Link 2, pelo Alquimista Persa Abu Musa Jabir Ibn Hayyan, Geber, Jabir, e estudado   pelo Alemão Andreas Libavius (descobridor do cloreto de estanho (IV), Líquido Fumegante de Libavius) , e pelo Alemão  Johann Rudolf Glauber (descobridor da neutralização), o “gás clorídrico”,  tinha sido observado, não não havia sido caracterizado.

Foi o Químico (na transição entre a Alquimia e a Química) Sueco Carl Wihelm Scheele, quem, ao tratar o sal pelo “Óleo de Vitríolo“, ácido sulfúrico concentrado, obteve o gás clorídrico, “Espírito de Sal“. Borbulhando em água, ele preparou ácido clorídrico muito concentrado e puro.

Tratando um mineral de manganês, a Pirolusita (bióxido de manganês) com ácido clorídrico, pela primeira vez, prepara o cloro, o halogênio cloro, um gás verde venenoso. Por isso, ele é o descobridor da oxidação. Ele chamou o cloro de “Espírito de Sal Deflogisticado“. SCHEELE, K.W. Proc. Roy. Scient. Acad. Sweden, 89 e 177 (1774) Veja referência 6, deste Link. Veja também.

Dissolvendo o cloro gás em água, ou em lixívia alcalina de soda ou potassa, ou tratando a cal com cloro, Scheele descobre: a água de cloro (uma mistura de ácidos clorídrico e hipocloroso) e os hipocloritos de sódio, potássio e cálcio. NaClO, KClO e Ca(ClO)2.

De fato, o cloro é usado até hoje para desinfecçãomatar bactérias em água potável. a água de torneira que chega em nossas casas é clorada.

O Hipoclorito de Cálcio é o famoso H.T.H, o cloro granulado de piscina. Desinfetante para água de piscina.

Os Hipocloritos foram usados como branqueadores pelo Químico Francês Claude Louis Berthollet. Em 1789, no bairro de Javel, Paris, França, ele borbulha o cloro em solução de soda cáustica, e obtem a “Água de Javel“, uma solução diluída de hipoclorito de sódio.

As “Águas Sanitárias” modernas, tipo: Candida, QBoa, Triex, Barbarex, Ypê, Candura, Super Globo, Brilhante etc… essencialmente, são “Águas de Javel” com fabricação modernizada, e como todos sabem; são usadas em branqueamento de roupas, limpeza e como desinfetantes. Eventualmente podem ser usados para desinfetar e purificar água.

São antissépticos muito eficientes, muito mais eficientes que o fenol (veja Ítem 2).

Embora não fossem muito usadas em cirurgias (antes de Lister), as soluções de hipocloritos eram usadas como desinfetantes para pisos. Assim foram usadas pelo Químico (também foi um dos pioneiros da Volumetria) Francês Louis-Bernard Guyton de Morveau, em 1773.

Mas Médicos Mexicanos começaram a usar hipocloritos em Hospitais. RODRiGUÉZ-PAZ, C.A. Cirujano General, 36, 257 (2014).

O Químico e Farmacêutico Francês Antoine Germain Labarraque , de uma forma empírica, em 1820 (40 anos antes de Lister!), usou soluções de hipoclorito de sódio para tratar feridas e Gangrena. é o famoso “Licor de Labarraque” .

BORIN, G.; BECHER, A.N. ; OLIVEIRA, E.P.M. Rev. Endod. Pesq. Ens. 5, 1 (2007). BOUVET, M. Rev. Hist. Pharm. 38, 97 (1950). (Editor) HIGLEY, S. ;  (Tradutor) SCOTT, J.; LABARRAQUE. A.E. “On the Desinfecting Properties of the Labarraque’s Preparations of Chlorine.”, 3 edição, Londres, Inglaterra, (1828). LABARRAQUE, A.E. “Memoria sobre el uso de los cloruros de óxido de sosa y de cal.” (Tradução de GONZÁLEZ,P.M.).Universidad Complutense, Madrid (1828). LABARRAQUE, A.E. “De L’Emploi de Chlorures D’Oxide de Sodium et de Chaux.” Editora M. HUZARD Gráfica, Paris, França,(1825).

Após os trabalhos de Labarraque, ficou bem estabelecida a eficiência antisséptica das soluções de hipoclorito. 

As soluções de Labarraque e a “Agua de Javel” e derivadas, foram  muito usadas em Medicina e até hoje se usam hipocloritos em Odontologia.

Somente em 1915, surgiria o “Líquido de Dakin“. Do Químico Inglês Henry Drysdale Dakin. DAKIN, H.D. Brit. Med. J.  2, 318 (1915). DAKIN, H.D. Compt. Rend. Acad. Scienc. 161, 150 (1915).É um melhoramento estabilizado do Licor de Labarraque.

O  Médico Francês Alexis Carrel, usou a Solução de Dakin em assepsia cirúrgica.

A fórmula original é com hipoclorito de sódio e carbonato de sódio, e tamponado com ácido bórico, e por isso, não pode ser usada em Odontologia (o boro mata as raízes dos dentes).

A “Solução de Dakin” moderna, a que os dentistas usam para lavar os canais dentários, é basicamente,  “Solução de Daufresne“,  um Dakin modificado, onde o carbonato de sódio foi substituido pelo bicarbonato de sódio, e o ácido bórico não é usado. DAUFRESNE, M. Presse Medicale, 24, 475 (1916).

Uma modificação do “Liquido de Dakin“, é a “Solução de Milton“. inventada em 1916 pela companhia inglêsa Procter & Gamble. É composta de hipoclorito de sódio e cloreto de sódio. É usada em Odontologia, e para esterilizar mamadeiras e roupas. Para esterilizar verduras, tem o nome patenteado Hidrosteril .

Também se pode usar o sal do sódio do ácido dicloroisocianúrico, (Clorin) que forma hipoclorito quando dissolvido em água.

Assim,  na prática, são soluções contendo hipoclorito, como a própria água sanitária.

5. ANTISSÉPTICOS BASEADOS EM SAIS METÁLICOS:

Apesar que a Assepsia só se tornaria uma prática corrente após Lister, desde que os microrganismos puderam ser vistos ao microscópio, já se desconfiava de seu papel nas doenças. Veja Ítens 1-4.

O cloreto de mercúrio (II), bicloreto de mercúrio, foi usado  como antisséptico pela Cientista Autodidata Francêsa Marie Geneviève Charlotte Thiroux D’Arconville, em 1766, no decorrer de seus estudos sobre a putrefação. Ela ficou  muito mais conhecida como Escritora, Anatomista e Tradutora. D’ARCONVILLE, M.G.C.T. “Essai Pour Servir a L’Histoire de la Putréfaction.” Editor: DIDOT Le Jeune, Paris, França, (1766).

Por ser mulher e não ser formada, e ser religiosa, ela achava que a Autoria devia ser feita por um Médico ou Químico Famoso, ela preferiu ficar anônima e, por isso, cita sua Autoria como “Pelo tradutor das Lições de Química de M. Shaw.

  Curiosamente, muito depois, mas não confiando nos hipocloritos, Biologistas famosos como Pasteur, Roux, e principalmente Koch,  preferiam  ainda desinfetar as mãos com o perigoso cloreto de mercúrio (II), “bicloreto de mercúrio”. BAKER, J.P. Am. J. Pub. Healt. 98, 244 (2008)

Citado em Livro, exemplar do Autor deste Blog:  KRUIF, P. “Caçadores de Micróbios“, Editora José Olimpio, São Paulo, SP (1953). Exemplares podem ser adquiridos através da Estante Virtual.

Antissépticos baseados em sais de metais pesados são  eficientes, mas não são mais muito usados, por sua grande toxicidade. São considerados perigosos.

Pertencem a esse período: A “pomada mercurial“, da Farmacopéia Brasileira. Exemplar do Autor do Blog: Farm Bras. II “Farmacopeia dos Estados Unidos do Brasil” , 2a ed., Vol II, pág 663 (1959). A “Pomada de Óxido de Mercúrio“.

Um sabonete de óxido de mercúrio, o “Derso” do laboratório Sarsa (hoje incorporado ao Sanofi-Aventis) ainda era usado nos anos 60-70, no Brasil.

Nesses tempos bem antigos, antes do advento das sulfas e dos antibióticos, injeções de metais coloidais ( arsênio, prata, platina, ouro etc…) foram usadas na tentativa de tratar as infecções. Exemplar  de Livro do Autor do Blog: LESURE, A. “Preparation e Sterilisation de Liquides Injectables.” 4a ed, (1923).

As injeções de metais coloidais inspiraram outros medicamentos antigos (ainda eram usados nos anos 60): o “Argyrol de Barnes“, Link 2, “Protargol” também chamado “Proteinato de Prata” ou “Vitelinato de Prata“. Um complexo de prata coloidal e proteínas de gelatina, introduzido na terapêutica em 1902. Link.

Ví e usei em Química, Argirol, quando era menino. Embora tenha caído em desuso a muitos anos, o Argirol ainda existe.

O nitrato de prata ainda é usado, principalmente para os olhos dos recém-nascidos. Mas discute-se se essa prática é necessária.

Antissépticos clássicos, e agora obsoletos, contendo outro metais foram usados até os anos 60-70.

Um deles foi a “Água de Alibour“, uma solução canforada de sulfatos de zinco e cobre (II), que hoje ainda é ocasionalmente usada, mas para micoses, porque combate os fungos.

 Teria sido formulada pelo Médico Francês Jacques Louis Dalibour no século XVIII. POUSSIER, A.M.A. “Historique de L’Eau de Alibour.Bull. Scienc. Pharmacol. 234 (1915). SPISAK, W.; CHLEBICKI, A,; KASZCZYSZYN, M. Sci. Rep. 6, 35847 (2016).

Outro exemplo foi a “Água Végeto Mineral”,uma solução de acetato básico de chumbo e essência de anis. Teria sido formulada pelo  Médico Inglês  THOMAS GOULARD  (Link 4) a partir do “Extrato de Saturno” de William Paine.  e aperfeiçoada por GEORGE ARNAUD DE RONSIL, no século XVIII, em 1769. Link 3. Livro, exemplar do Autor do Blog: LUCAS, V. “Formulário Médico Farmacêutico Brasileiro.” , Editora Científica, Rio de Janeiro, R.J.  2a Ed., págs. 30, 135 (1959).

A Água Végeto Mineral ainda era usada no Brasil até os anos 60-70, mas não mais como antisséptico e antifúngico, e sim para tratar hematomas e contusões, porque clareava as lesões. Também recupera a cor dos cabelos brancos, por conter chumbo. Atualmente, não se usa mais e seu uso é considerado perigoso.

Também há alguns  antissépticos metálicos clássicos e famosos, que foram muito usados, por muitos anos:

O “Mercurocromo“, um corante de fluoresceína dibromada e mercurada, obtido por síntese química. Foi inventado pelo Médico Americano  Hugh  Hampton Young, em 1919, com auxílio de Químicos. PIMENTEL, L.C.F; CHAVES, C.R.; FREIRE,L.A.A.; AFONSO, J.C. Quím Nova, 29, 1168 (2006). Livro, exemplar do Autor do Blog: MANO, E.B.; SEABRA, A.P.  “Práticas de Química Orgânica.” Edgard Blucher, São Paulo, S.P. HYNSON, WESTCOTT & DUNNING, INC. “Mercurocrome.”, Chicago, EUA (1932).

O principal sucessor do Mercurocromo foi outro conhecido composto mercurial, o Timerosal, Tiomersal,  o famoso Merthiolate.

Ambos, Mercurocromo e Mertiolate, foram muito usados e encontrados nas farmácias até o início do século 21. Hoje são proibidos, por conterem metais pesados.

Mertiolate foi   inventado pelo Químico Ucraniano Morris Selig Kharasch, um dos pioneiros da Química dos Radicais Livres, em 1922. Foi patenteado pela companhia Lilly, em 1928,   assim como nome de “Merthiolate“. GEIER, D.A.; SYKES, L.K.; GEIER, M.R. J. Toxicol. Env. Heal. B, 575 (2007). KHARASCH, M.S. Patente Americana, US1672615A (1928).

Após 1927, o Timerosal foi preconizado para evitar contaminações em formulações de vacina. POWELL, H.M.; JAMIESON, W.A. Proc. Indiana Acad Scienc. 47, 65 (1937). POVITSKY, O.R.; EISNER. M. J. Immunol. 28, 209 (1935).

Assim vimos que principalmente os compostos organometálicos Mercurocromo e o Timerosal se tornaram importantes como antissépticos  tópicos, e foram usados por muitos anos.

6. TINTURA DE IODO E FORMULAÇÕES RELACIONADAS:

O iodo foi descoberto em 1811, pelo Químico e Farmacêutico Francês Bernard Courtois, fabricante de salitre.TORAUDE, L.G. “Bernard Courtois e la Decouverte de L’Iode.” Tese de Doutorado em Farmácia, Universidade de Paris, França (1921).

Descoberto nos resíduos da purificação dos salitres do Chile (nitrato de sódio) e da Noruega (nitrato de potássio) e nas cinzas das algas marinhas.

Não possuindo laboratório grande e com recursos, Courtois cedeu amostras da nova substância a Gay-Lussac, Ampére e Humphy Davy, que a estudaram. Humphy Davy e Gay-Lussac reportaram as propriedades do iodo (cujas soluções são marrom ou roxas e os vapores, roxos e característicos. Humphy Davy o reconheceu como sendo um elemento químico novo, do grupo do cloro, um halogênio. GAY-LUSSAC, C. Ann. Chem. 91, 5 (1814). DAVY. H. Phil. Trans. Roy. Soc. London, 104, 74 (1814).

A Tintura de Iodo foi inventada em 1819, para tratar a gota, por via interna e para tratar as lesões  tuberculosas e sifilíticas da pele. Pelo Médico Suiço Jean François Coindet

(COINDET, J.F.  COINDET, I.R (Tradutor) “Observations of the Remarkable Effects of Iodine.”  Editora. Longmans, London, 1821) (BLANC, E.  “Quérison Radicale des Maladies Cutanés.”, Monografia, 1835). COINDET, J.F. “Decouverte d’un Nouveau Remede Contre le Goitre.Ann. Clin. Phys., 15, 49, (1820). Citado por: ABRAHAM, G. “History of Iodine in Medicine.”, 2019.

Era muito forte. tinha 35 % de iodo, hoje em dia, poderia ser considerada fórmula irracional.

 Como antisséptico, a Tintura de Iodo foi usada em 1908, foi usada pelo Cirurgião Croata Antonio Grossich. A Tintura de Iodo fraca, 2 % , base das modernas formulações, foi introduzida pelo Médico Inglês Lionel Stretton, em 1909. Em 1914, já estava na prática médica corrente (WALTHER, C, Désinfection de la Peau par la Teiture de Iode. Editor Henri Charles Lavauzelle, Paris 1914 ).

As fórmulas modernas e clássicas, magistrais de Tintura de Iodo são achadas em várias Farmacopéias: “Tintura de Iodo Fraca”, Farm Bras. , 2a Edição, Vol. 2, 712, Indústria Gráfica Brasileira, São Paulo, 1959 ;  LUCAS, V. “Formulário Médico-Farmacêutico Brasileiro.” , 2a Edição,, 464 , Editora Científica, Rio de Janeiro, 1959 ; HISCOX, G.D.; HOPKINS, A.A. “Recetario Industrial”, 2a Edição, 1155, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 1951. SOUSA, G.B. “Fórmulas de Tintura de Iodo.” 2012. BENTES, L. “Preparação de Soluções.” (2012). Blog Magistral. “70 Fórmulas Magistrais e Oficinais.” (2010). ANVISA,  Farmacopéia Brasileira, 6 ed.,  Vol. 2 , Monografia EF160-00 (2019).

A Tintura de Iodo, embora esteja caindo em desuso, ainda é achada no comércio, nas Farmácias. Links: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8.

Para mim, opinião pessoal, ela se aproxima do antisséptico tópico ideal. Pouco tóxica, fácil de se encontrar ou preparar, bastante estável por 2 anos, eficiente e barata. Mancha a pele de marrom, mas a mancha sai em um dia ou dois, porque o iodo sofre redução a pele, e se descolore.

Eu gosto de Tintura de Iodo e uso. A Fórmula que uso é a da Farmacopéia Brasileira 2a Edição . “Tintura de Iodo Fraca”, Farm Bras. , 2a Edição, Vol. 2, Págs. 86 e 712, Indústria Gráfica Brasileira, São Paulo (1959):

Meça os ĺíquidos em provetas separadas. Misture 105,2 ml de álcool forte, 95-96 GL, puro PA,  de cereal, ou para uso farmacêutico. Misture com 100 ml de água desionizada. A solução resultante é “Álcool Diluído” da Farm. Bras. 2, ou “Álcool a 50 %” das edições mais recentes.

Pese 4 g. de iodo ressublimado PA ou de Pureza Farmacêutica. Pese 3 g. de iodeto de sódio PA. Triture os sólidos em um almofariz.

Dissolva os sólidos em parte do álcool diluído, homogeinize bem e complete a 200 ml com o álcool. Filtre e armazene em frasco ambar, bem fechado.

Obtem-se 200 ml de Tintura de Iodo Fraca. Há fórmulas modificadas, que empregam o iodeto de potássio, mais fácil de ser encontrado no comércio.

Um outro antisséptico baseado em iodo, que tornou-se famoso é o “Liquido de Lugoldesenvolvido pelo Médico Francês Jean Guillaume Auguste Lugol, em 1829. Link 2.

Ele a usava para tentar tratar, interna e externamente, a tuberculose (LUGOL, J.G.A Troisième Mémoire su L”Emploi de L’Iode dans Les Maladies Scrofuleuses.” Editor, J.B Baillière, Paris, (1831). Link 13 (em Dinamarquês).

O Lugol é uma solução de iodo em iodeto de potássio aquoso, Link 2,  contém íons de poli-iodetos. Foi muito modificado, há inúmeras variantes e modificações de concentração. Livro, exemplar do Autor deste Blog; MORITA, T.; ASSUMPÇÃO, R.M.V. Revisores: DI VITTA, C.; TOMA, H.E.; ARAKI, K.; DI VITTA, P.V. “Manual de Soluções, Reagentes e Solventes.”,  Editora Blucher, São Paulo, 2a Ed., Pág. 171 (2007).

É empregado hoje, raramente como antisséptico, mas importante como  reagente para laboratório, corante para microscopia, reagente para amido, Link 3,   celulose, , polissacarídeos, ver os amiloblastos ou os ovos de vermes etc… medicamento para tireóide etc…

È extensamente usado em um método para coloração diferenciada de bactérias, o Método de Gram (GRAM, H.C.J. “Uber die Isolirte Farbung der Schizomyceten in Schinitt und Trockenparaparaten.”  Fortsch. Medizin, 2, 185 (1884). Tradução muito Livre e modernizada, do título do artigo “Sobre a Coloração Específica das Bactérias em Preparações Microscópicas Secas.” Método é do Bacteriologista Dinamarquês Hans Christian Gram.

Outro importante antisséptico contendo iodo é o iodofórmio. É um composto orgânico, o triiodometano, o análogo iodado do clorofórmio. Fórmula Molecular HC(I)3

Foi obtido (e testado como antisséptico) pela primeira vez (1822) pelo Farmacêutico Francês Georges Simon Serullas, pela reação entre iodo e carvão coke e vapor de água, ou potássio, etanol e iodo. Métodos  químicamente difíceis, portanto. SERULLAS, G.S. Monografia “Notes sur L’Hydriodate de Potasse……..” Metz, França (1822). Posteriormente ele preparou iodofórmio pela reação entre o iodo, etanol e água.

Em 1832, o químico Alemão Justus Von Liebig publicou a reação entre compostos carbonílicos e halogênios, em meio básico. a chamada “Reação de Halofórmio”. LIEBIG, J.V. Ann. Phys. 100,. 243 (1832). Link 4. Outras invenções conhecidas de Liebig: os cubinhos de caldo de carne e o fermento químico, tipo “Pó Royal”.

A Reação de Halofórmio possibilitou a preparação fácil do iodofórmio, pelo Químico Austríaco Adolf Lieben em 1870. LIEBEN, A. Ann. Chem. Supp. 7, 218 (1870). Também Página 377.

O método de Lieben é a base das sínteses modernas de iodofórmio, pela reação entre alcool etílico ou acetona e iodo, em meio alcalino.

De fato, a reação é muito fácil. Eu preparo sempre o iodofórmio que uso em minhas pesquisas. A reação é um experimento,  prática fácil e corrente de Química Orgânica.

Veja: Livro, exemplar do Autor do Blog: GONÇALVES, D.; WAL, E.; ALMEIDA, R.P. “Química Orgânica Experimental.” McGrow Hill, São Paulo, S.P., Pág 121 (1988).;  Prep-Chem. “Preparation of Iodoform.” (2015).; OLMEZ, H.; UZMAN, S.; TULUNAY, M. “Raporlar: Iodoform.” (2009); THOMAS CHEMISTRY, “Synthesis of iodoform.” (2016); SILVA, A.L.S. “Síntese Orgânica do Iodofórmio.” (2007)MEDEIROS, R.V.B.; RESENDE, R.R; MAIS,S.R.R “Laboratório de Quimica em Sala de Aula. Produção de Iodofórmio.” (2015); MELO, G.B.; PERES, V. Perquirere, 12, 158 (2015); STUDY PAGE, India. “Preparation of Iodoform.”STAN, V.. Stan’s Academy of Chemistry.  “Preparation of Iodoform.”; STAN, V.. Stan’s Academy of Chemistry.  “Iodoform Preparation.” (2018); PILAPIL, J.D.R. “Formal Report, Iodoform.”; BO-ELONGO, P.F. “Synthesis, Purification and Carachterization of Iodoform.” (2018). DOCTORHEATSNAKE, “Practical.pdf. Preparation of Iodoform.”; GISELI, B. “A Síntese do Iodofórmio.” (2015) PEREIRA, W. “Síntese de Iodofórmio.” (2015).

Muito usado como antisséptico, desde a sua preparação até a metade do século XX. Principalmente antes dos Antibióticos e das Sulfas. Veja, por exemplo, ANNOTATIONS, Lancet, 167, 615 (1906).   MAYLARD, Ann. Surg. 11, 17 (1890).

Ainda é muito usado em Odontologia, Endodontia, para tratamento de canais. TOLEDO, L.; BRITTO, M.L.B.; PALLOTTA, R.C.; NABESHIMA, C.K. Int. J. Dent. 9, 28 (2010). JAEGER, M.M.M.; MACHADO, M.E.L. Rev. Pós-Grad. Odont. 6, 175 (1999). DANIEL, R.A.P.; JAEGER, M.M.M.; MACHADO, M.E.L. RPG Rev. Pós Grad 6, 175 (1999). Gaze com iodofórmio foi muito usada em cirurgias.

7. OUTROS ANTISSÉPTICOS:

Ocasionalmente, se usam outros antissépticos. Como o álcool comum e o isopropilico. 

O álcool etílico é conhecido desde  a Antiguidade, obtido por fermentação.  Usado  em Medicina a muito tempo. Ele foi isolado puro por vários Alquimistas Árabes e Persas, através da destilação de líquidos fermentados. A destilação era já conhecida dos Egípcios, mas o Alambique em sua forma eficiente foi inventado pelo Alquimista Persa Abú Musa Jabir Ibn Rayan, Geber.

O álcool também era conhecido pelo Alquimista Persa Abú Bakr Muhammad ibn Zakariya Al-Razi, em forma latina, Razés. Ele o preparou no século VII. MODANLOU, H.D. Arch. Iran Med. 11, 673 (2008).

O álcool teria sido usado como desinfetante e anestésico, por cirurgiões Islâmicos, a mais de mil anos. SYED, I.B. Islamic Research Foundation Inc. (2012).

Antigamente, se empregava o álcool de 95 GL, absoluto ou o álcool de cereal, como antisséptico,  mas hoje, álcool a 70 GL  e  álcool gel, são usados e considerados melhores    ( Link 5)  do que o álcool forte.

Outro antisséptico clássico e muito usado era o formol, uma solução aquosa  a 40 %, de formaldeido (aldeído fórmico HCHO).

O formaldeido foi obtido pela primeira vez (1859) pelo Químico Russo Aleksander Mickraylovitch Butlerow e caracterizado (estrutura determinada, 1867-1869) pelo Alemão August Wilhelm Von Hofmann. BUTLEROW, A. Ann. Chem. Pharm. 111, 242 (1859). HOFMANN, A.W. Ber. Deutsch. Chem. Gessel. 2, 152 (1869). Veja também as referências 27 e 28 no texto aqui, para outros Artigos anteriores de HOFMANN, sobre o formaldeido.

O formol foi proposto pelo Médico Alemão  Ferdinand Blum como antisséptico, desinfetante e fixador histológico em 1892. BLUM, F. citado por: FOX, C.H. et al. J. Histochem. Cytochem. 33, 845 (1985).BLUM, F. Zeit. Swiss. Mikr. 10, 314 (1893).

MUSIAL, A. et al. Folia Med. Crakov. 56, 31 (2016). SLATER, C. Lancet, 143, 1004 (1894)DIMENSTEIN, I.B. Lab. Med. 40, 740 (2009). PUCHTLER, H.; MELOAN, S.N. Histochem. 82, 201 (1985). PATIL, S. et al. J. Int. Oral Health.5, 31 (2013). McDONNELL, G.; RUSSEL, A.D. Clin. Microbiol. Rev. 12, 147 (1999). VAN DEN TWEEL, J.G.; TAYLOR, C.R. Virch. Arch. 457, 3 (2010).

Formol  foi usado como antisséptico e desinfetante por muitos anos, por causa da sua eficiência. CASTELANOS, B.P.; JOUGLAS, V.M.G. Rev. Bras. Enferm. 27, 416 (1974).

Basta lembrar do famoso Lysoform. Existia no Brasil e em muitos paises, desde 1904 e é de origem Alemã. O Lysoform novo só contém quaternários de amônio (Item 8).

Hoje não e mais usado por sua toxicidade. Link 6.  Link 9. Link 10. Link 11. É considerado inclusive cancerígeno e mutagênico. VIEIRA, I.I.F. et al. Rev. Scienc. Saúde Nova Esper. 11, 97, (2013). SWENBERG, J.A. et al. Toxicol. Pathol. 4, 181 (2013).

O formol pode reagir com amônia, formando hexametilenotetramina. Que foi usada (desde 1899) como antisséptico urinário, com o nome Urotropina ou Metenamina. Link 7. REGINALD. St.; HEATCOTE, D.M. Brit. J. Urol.  7, 9 (1935). Porém, por liberar formol, pode ser mutagênica.

Mais um antisséptico usado. O ácido bórico, H3BO3, B(OH)3 . É antisséptico suave. E um bom antimicótico. 

Foi usado como remédio pelos Americanos Pioneiros. Foi usado como antisséptico em cirurgias, como álcool boricado  (Link 10) e glicerina boricada. LUCAS, V. loc. cit.

(inventor da glicerina boricada:  Frederick Settle Barff, Inglaterra, em 1882).

Depois de usar o Fenol  (veja Item 3) o Médico Inglês Joseph Lister, também usou o ácido bórico como antisséptico e desinfetante. LISTER, L. , Brit J. Med. 2, 1003 (1882). LISTER, J., Lancet, 105, 787 (1875).

Ainda se usa bastante, principalmente em Oftalmologia (Água Boricada) Farm. Bras., loc. cit. .Mas também em Otorrinolaringologia e em Ginecologia. ADRIZTINA, I.; ADENIN, L.I.; LUBIS, Y.N. Korean J. Fam. Med. 39, 2 (2018). Link 11. OSTURKCAN, S. et al., Eur. Arch. Otorhinolaryngol. 266, 663 (2009). BAKUS, K.V. et al. Sex. Trans. Dis. 44, 120 (2017).

 Por sua correlação com a Alquimia, a História do ácido bórico, veja DOMINGUES, P.F. “Desinfecção e Desinfetantes”.é bastante interessante. Por isso, é objeto de outra publicação neste Blog.

Água Oxigenada, mais um conhecido antisséptico, até hoje usado. Químicamente falando, é o peróxido de hidrogênio, H202. É encontrado em farmácias, em soluções aquosas estabilizadas, nas concentrações de 10 e 20 Volumes de Oxigênio (3 e 6 %).

Usa-se para desinfetar água, pois é inócua, só gera oxigênio. Também como antisséptico tópico e para limpar ferimentos.

Para descolorir cabelo, usam-se as concentrações de 30 ou 40 Volumes, mas não devem ser usadas como antisséptico, porque em concentrações altas, é cáustica.

Para processamento químico e desinfetante para piscinas, existem soluções ainda mais concentradas: 100 a 130 Volumes (30 a 35 %) e atualmente, até 200 Volumes (60 %). Mesmo mais que isso, 70 %.  Devem ser manipuladas com cuidado, pois são cáusticas, venenosas e até potencialmente explosivas.

História da Água Oxigenada:

Em 1799, o Filósofo Natural , Escritor e Naturalista Prussiano Barão Friedrich Wilhelm Heinrich Alexander Von Humboldt,  junto com o Químico Francês Joseph Louis Gay_Lussac prepararam o peróxido de bário (BaO2), durante as suas pesquisas sobre a composição do ar e da água. LOWRY, T.M. “Historical Introduction to Chemistry.” Monografia, Londres, Inglaterra  Pág. 122 (1936).

Humboldt se tornaria muito mais famoso pelas suas observações naturalistas e ambientalistas, e da fauna e flora dos países da América do Sul e da África. Até esteve no Brasil. Link 12.

Em 1818, usando o peróxido de bário como material de partida, o Farmacêutico e Químico Francês, Barão Louis Jacques Thenárd, preparou, descobriu o novo composto, água oxigenada. THENÁRD, L.J. Ann. Chem. Phys., 2nd. , 8, 306 (1818).

Um dos primeiros usos da água oxigenada em Medicina, como medicamento. (Link 14) Em 1920, ela foi usada por Médicos Inglêses, para tratamento da Pneumonia (não existiam ainda as sulfas e os antibióticos). OLIVER, T.H.; CANTAB. B.C.; MURPHY, D.V. Lancet, 195, 432 (1920). LU. M.; HANSEN, E.N. J. Bone Joint Infect., 2, 3 (2017)

Os primeiros uso como antisséptico tópico. Em 1913, descobriu-se que o peróxido de hidrogênio aumentava a permeabilidade das células vegetais. Isso foi confirmado em 1928, para as células humanas . THOMSON, D.L. J. Exp. Biol. 5, 258 (1928). SZUCS, J. “Über Einige Charakteristische Wirkungen des Aluminiumions auf das Protoplasma.” (Tradução Livre do Título: Sobre Alguns Efeitos Característicos dos Íons de Alumínio no Protoplasma.” ) Jahrb. F. Wiss. Bot. 52, 269 (1913), citado por: WEBER, R. Protoplasma, 19, 242 (1933).

  A partir daí, isso encorajou-se  o uso  da água oxigenada como antisséptico tópico. Também ajuda  a limpar o sangue dos machucados. Em 1929, já era usada eventualmente, tópica, para tratar ferimentos. HAIGHT, M. J. Chem Educ. 6, 2234 (1929).

Desde os anos 40, o uso é muito comum para desinfetar machucados e cortes, pois era cara nos anos 20 (depois da primeira guerra), mas a fabricação dela foi barateada, após a segunda guerra mundial.

Água Oxigenada
Antigo Frasco de Água Oxigenada dos Anos 30. Fonte da Imagem: SHEPARD, K. Imagem Distribuída por ALEXANDER, W.C de Essex, NY (2016).

Também é usado para branquear os dentes e evitar placa dentária. WENSTROM, J. LINDHE, J. Clin. Periodont. 6, 115 (1979). MARSHALL, M.V.; CANCRO, L.P.; FISHMAN, S.L.  J. Periodont. 66, 786 (1995).

8. ANTISSÉPTICOS  MODERNOS:

Pelo fato do Mercurocromo e do Timerosal conterem mercúrio, o iodofórmio ter cheiro forte e a Tintura de Iodo manchar a pele, muito pesquisa foi feita procurando outros antissépticos.

Entraram na prática corrente os tensoativos quaternários de amônio  (Link 8) de cadeia longa,  os cloretos de benzalcônio e benzetônio, o cloreto de cetilpiridínio, um dos componentes do Cepacol, veja Ítem 10).  ALVES, D. et al. SPEMD 53, 181 (2012). QUISNO, R.; FOTER. M.J J. Bacteriol. 52, 111 (1946).

Quaternários de amônio podem ser usados para desinfetar a pele nas cirurgias.

Quaternários industriais são usados em desinfetantes. REIS. L.M.; RABELO, B.R.; ROSS, C.; SANTOS, L.M.R. Rev. Bras. Enferm. 64, 870 (2011). Também nos condicionadores de cabelo.

9. ANTISSÉPTICOS  ATUAIS, DE USO CORRENTE:

Chegamos aos antissépticos atuais, destacando-se dois, pelo uso bem estabelecido e corrente, no Mundo todo: a Iodopovidona e a Clorehexidina. LIRA, A.L.B.C.;  FERNANDES, M.I.C.D; SILVA, F.B.B.L.; FORTES, A.V. Rev. Cub. Enf. 34, 1(2018).

Organização Panamericana de Saúde, VÁRIOS AUTORES, “Formulario Terapêutico Nacional.” (2010). HONSHO, C.S. Investigação, 16, 1 (2017).WANNMACHER, L. (2015).

A Iodopovidona, um complexo de iodo com  polímero de uma cetona heterocíclica. Polivilpirrolidona.

Ela foi inventada em 1952, patenteada em 1956, pelos irmãos Shelanski  do Industrial Toxicology Laboratories, Filadélfia, EUA. SHELANSKI, H.A.; SHELANSKI, M.V.  Patente Americana, US2739922A. Demorou algum tempo até que os testes clínicos fossem feitos  e o posterior uso se tornassem bem estabelecido.

No Exterior, é usada desde o final da década de 50, início dos anos 60. AZAMAR, A.; TAPIA, A.O.; Genicol. Obst. Mex. 27, 467 (1970). CONELL Jr., J.F.; ROUSSELOT, J.M J. Surg. 108, 849 (1964). GAMES, A.L.; DAVIDSON, E.  et al. Am. J. Surg. 97, 49 (1959). GERSHENFELD, L. Am. J. Surg. 94, 938 (1957). CRUZEIRO, C.; CABRAL, L.; TELES, L. Acta Med. Port. 11, 271 (1998). DUMVILLE, J.C. et al. Biblioteca Cochrane (2015). Mas no Brasil, o uso da Iodopovidona só se torna corrente, após os anos 90: PASSOS, A.F.; AGOSTINI, F.S. Rev. Bras. Oftalmol. 70, 57 (2011).

Outro antisséptico muito usado é a Clorehexidina. Por sua estrutura molecular, pode ser considerada um derivado da paracloroanilina e da guanidina. A molécula foi sintetizada e patenteada nos anos 50, pela companhia Inglêsa ICI – Imperial Chemical Industries. DAVIES, G.E.; FRANCIS, A.R.; MARTIN, F.L.R.;  SWAIN, G. Brit. J. Pharmacol Chemoth. 9, 192 (1954)DAVIES, G.E; FRANCIS, J.; KAY, E.;  ROSE, F.L.;  SWAIN, G. GB710105A, Patente Inglêsa, (1954); ROSE, F.L.; SWAIN, G. DE913168C, Patente Alemã (1954).

A empresa ICI foi extinta em 2008 e comprada pela Multinacional Akzo-Nobel. A partir dos anos 50, Clorehexidina foi usada na Europa , mas só nos anos 70 foi aceita nos EUA.

No Brasil e no Mundo, atualmente é o principal antisséptico tópico. Primeira escolha, porque é atóxica, biodegradável e muito ativa. BIANCO, A.; NORDIC, S. U.S National Library of Medicine, Clinical Trials NCTO3423147 (2018-2019). DOMINGOS, H.C.T.; GARRETT, R. Química Nova Interativa. Clorexidina (2006). Usa-se muito em Medicina e também em Odontologia.

10. ENXAGUATÓRIOS BUCAIS (COLUTÓRIOS):

Chegamos ao Capítulo final dessa História.

Além do uso em Medicina, Cirurgia, Endodontia etc… Um importante uso dos antissépticos é na composição dos enxaguatórios bucais, antigamente chamados de colutórios.

Há referências a colutórios já na Medicina Indiana e Chinesa. Hipócrates (o Pai da Medicina, veja Item 1) aconselhava bochechos de sal, alúmen e vinagre, para combater a gengivite.

Colutórios antigos continham antisséticos de base alcóolica ou bactericidas derivados de fenol: Mentol, Timol, Eucaliptol,  também essências de canela e cravo da índia, bórax, bicarbonato de sódio etc…

Alguns continham substâncias que hoje se sabe, não são boas para usar na boca ou uso interno, tais como ácido salicílico, ácido bórico, fenol e até, clorofórmio.

Livros. Exemplares do Autor deste Blog: HISCOX, G.D.; HOPKINS. A.A.; “Recetario Industrial.” Editora: Gustavo Gili, Barcelona, Espanha, 2a Ed., Pág. 1044 (1941). GHERSI, I. “Riccetario Domestico.” Editora: Ulrico Hoepli, Milão, Itália, Pág 384 (1918). GHERSI, I. “Prodotti e Procedimenti Nuovi Nelle Industrie.” Editora Ulrico Hoepli, Milão, Itália, Pág. 165 (1916).

Para você ter uma idéia desses enxaguatórios bucais antigos. “The Canadian Druggist.” Toronto, Canadá (1899). BANERJEE, R.History of Toothpaste ands Toothbrush.” (2019). COLGATE, “History of Toothpaste-Toothbrush.(2019). GARRETSON, J.E.; LIPPINCOTT, J.E (Editor). “A System of Oral Surgery.” (1884). Muitos desses colutórios antigos era usados mais como dentrifícios líquidos, para escovar os dentes e não para fazer bochechos.

Destaca-se  o muito usado até hoje, Listerine“. VERNON, L.F. Int. J. Dent. Oral Health 4, 1 (2018). FINE, D.H. J. Dent. 38, Sup. 1, S2 (2010).

Em 1876, o Químico Americano Joseph Lawrence,  testa uma preparação liquida para ser usada como antisséptico cirúrgico. O Líquido é experimentado por Lister (Item 3), que reconhece sua eficiência.

Em 1879, junto com o técnico de Farmácia (Apotecário)  Robert Wood Johnson (fundador da Johnson & Johnson), Lawrence formula o ĺiquido, e se associa ao Farmacêutico Jordan Wheat Lambert, de quem comprava produtos químicos.

Lambert comprou e fabricou  a fórmula em 1881 ((Lambert Pharmaceutical Company , depois Warner-Lambert), Listerine,

e em 1895, descobriu que o produto era excelente como enxaguatório bucal. “Popular Science Montly.” (1930). MORGENSTERN, R. J. Am. Col. Surg. 204, 495 (2007). CORDALLY, T.P “The Sanitarian” 345, 134 (1898).

A fórmula original de Lambert era um segredo industrial, mas possivelmente continha Orégano, Menta, Eucalipto, Gaultéria e Bórax.

A fórmula original  modernizada contém 4 antissépticos: Timol, Eucaliptol, Mentol e um anti-inflamatório, o Salicilato de Metila, em um veiculo hidro-alcoólico. (Link) Eu manipulei essa fórmula de maneira magistral, várias vêzes, com sucesso. Ela está em antigas Farmacopéias.  FISCHER, B., HARTWICH, C. “Hagers Handbuch der Pharmaceutischen Praxis.” Springer, Berlim, Alemanha (1900). The Hospital” 47 (1891).

Hoje, o Listerine é fabricado pela Johnson & Johnson  . Existe uma ligeira modificação, uma nova modernização da fórmula original, também existem muitas modificações da fórmula, contendo ingredientes que a fazem anti tártaro, anti-placa, sem álcool etc…  

Existem alguns colutórios que contém antisépticos, mas são mais medicamentos para garganta e doenças periodontais, do que enxaguatórios bucais. Cito apenas três: Malvona, Malvatricin e Cepacol.

A Malvona é muito antiga. Fabricada pelo laboratório Daudt Oliveira. BACCARELLI, J.C.; RIBEIRO, M.C. Rev. Cienc. Méd. Campinas 9, 99 (2000).

Em sua formulação atual, a Malvona contém extrato flúido de malva, óleos essenciais de menta e de eucalipto, os antissépticos mentol e cloreto de cetil piridínio, o anestésico local benzocaína, o anti-inflamatório salicilato de fenila (Salol ou Fenosalil). O veículo é hidroalcoólico, em um tampão de bórax.

Eu gosto de Malvona, funciona bem.

O Malvatricin é do mesmo laboratório, Daudt. a formulação contém Tirotricina (que é antibiótico e não antisséptico). Fique atento por causa de possibilidade de resistência bacteriana. Como antisséptico , se usa o sulfato de hidroxiquinolina, o Quinosol.

O produto é acidulado. Na formulação nova, se usa ácido cítrico. Na antiga porém, era ácido acético. Livros, exemplares do Autor deste Blog: LIMA, D.R. “Manual de Farmacologia Clínica, Terapêutica e Toxicologia.” Editora Guanabara-Koogan, Rio de Janeiro, R.J., 2a Ed., Vol. 3,  Pág. 1662 (2004). 1a Ed., Pág 734 (1995).

O Cepacol.

A formulação original era de JB WilliansJames Baker Williams, dono de uma fábrica Americana, muito antiga, 1840, de sabonetes e sabões de barba: Williams.

A formulação foi vendida para a Inglêsa Reckitt Benckiser. No Brasil, quem o fabrica agora é a multinacional de origem francêsa, Sanofi-Aventis.

O antisséptico no Cepacol, também é o cloreto de cetil piridínio. O veículo também é hidroalcoólico com bórax.

11. OBSERVAÇÕES:

Artigo escrito em computador AMD Phenon Bulldozer, 8 núcleos, 64 Bits, Sistema Operacional Sabayon Linux, versão atualizada ao 19.10, usando o Editor do WordPress, em Navegador Mozilla Firefox, experimental , versão Nightly 73.0 Alfa 1.

As referências bibliográficas  foram pesquisadas pelos métodos que descreví neste Artigo.

 

 

 

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