História da Ciência. História dos Fósforos e dos Isqueiros.


O Químico Alemão Johann Wolfgang Döbereiner , Inventor do Primeiro Tipo de Isqueiro, a "Lâmpada de Dobereiner".
O Químico Alemão Johann Wolfgang Döbereiner , Inventor do Primeiro Tipo de Isqueiro, a “Lâmpada de Dobereiner”. Fonte da Imagem: LAKSHMI, M.; About Scientists Biography (2011).

Autoria de Alberto Federman Neto, AFNTECH.

Revisto e ampliado em 7 de Maio de 2021.

1. INTRODUÇÃO:

Este Artigo trata de assunto relativamente pouco conhecido.  A História dos fósforos e dos isqueiros.

2. O FOGO E OS BRASEIROS PORTÁTEIS:

O fogo é conhecido desde tempos imemoriais, desde o Homem pré-histórico. Links:  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15. 26. 27.

Provavelmente, tudo começou quando o Homem observou as matas, ou as árvores, incendiadas por raios, aprendeu a manter uma fogueira e até a acender uma, usando por exemplo, roletes de madeira dura, links 16, 17, 18, ou as fagulhas obtidas batendo duas pedras de Sílex. Pederneira. Links: 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25.

Antes de existirem os isqueiros, e até depois disso, para poder acender cachimbos, ou as velhas lamparinas de óleo (usadas para iluminação antes da luz elétrica), usavam-se espécies de braseiros portáteis e de mesa, a carvão. Como este: 35.

Ou lâmpadas a óleo. Como estas. links: 28, 29, 30, 31, 32, 33. 38.

De vez em quando, lamparinas  a óleo, tipo “lâmpada de Alladim“, como esta, de prata, Inglesa, da Era Vitoriana. Ou esta, de bronze.

Além de acender cachimbos na mesa, serviam para acender fogões a lenha , link 34, ou  a carvão.

3. O QUE É MAIS ANTIGO, O FÓSFORO OU O ISQUEIRO?

Bom, em sua origem, os fósforos são muito mais antigos!

Os  Alquimistas Chineses, no século VI ao século IX, haviam, links 39, 40, inventado a pólvora e os primeiros tipos de fogos de artifício, 41, 42 , 43,  as chamadas “luzes de bengala“., composições químicas em pó, que queimavam com luz colorida.

Inventaram então, revestir a ponta de uma haste de madeira ou graveto, com uma luz de bengala, formando um antecessor dos “fogos bengalinha“. É um tipo de fósforo!

Na sua origem, porém, os isqueiros são mais recentes…. eles derivam de apetrechos do século XVI, as armas de pederneira!

Mas isso, na origem, porque no caso dos fósforos e isqueiros para acender, propriamente ditos, modernos e atuais…. Pode-se considerar que os isqueiros são anteriores (1823, protótipo 1816), aos fósforos (1826), pelo menos os fósforos práticos. Links 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50.

4. OS PRIMEIROS ISQUEIROS:

O primeiro isqueiro mesmo, aparelho para acender, foi inventado (1823) pelo Químico Alemão Johann Wolfgang Dobereiner, link 51. A “Lâmpada de Dobereiner“, da qual fez também várias variações. Links: 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61.

Artigos originais da lâmpada de Dobereiner. DOBEREINER, J.W. Ann. Phys., first series, 74, 269 (1823). Link 62. DOBEREINER, J.W. J. Chem. Phys. 38, 321 (1823). Veja também: KAUFFMAN, G.B. Plat. Met. Rev. 43, 122 (1999). WILLIANS, W.D. Bull. Hist. Chem. 24, 66 (1999).

A “Lâmpada de Dobereiner” foi industrializada em escala comercial e usada, mas era um dispositivo  volumoso, caro e pouco prático, além de perigoso (perigo de  incêndio e explosão). O combustível era gás hidrogênio, que era inflamado por uma massa catalítica de “Esponja de Platina“.

Um dos Modelos Comerciais de Lâmpada de Dobereiner, de Fabricação Alemã.
Um dos Modelos Comerciais de Lâmpada de Dobereiner, de Fabricação Alemã. Fonte da Imagem: Wikipedia e Museum Fur Hamburgische Geschichte;(2010).

Muito depois, se substituiu o hidrogênio pelo metanol (álcool metílico). E a platina pelo paládio, mais barato.

No Brasil, em 1966 (eu vi um), ainda haviam isqueiros que usavam metanol e platina ou paládio catalítico.

Em 1828, Dobereiner descobriu a inflamação espontânea do hidrogênio, por compressão seguida de descompressão, e como isso, inventou um segundo isqueiro, muito mais compacto. O “Isqueiro Pneumático. Embora fosse menor em tamanho, era ainda mais perigoso!

Apesar disso, os isqueiros tipo de Dobereiner, ainda existiam em 1920.

Outras descobertas importantes para a Química, de Dobereiner, incluem as propriedades de muitos elementos químicos e uma classificação desses elementos químicos que se tornaria  antecessora da tabela periódica, as chamadas  “Tríades de Dobereiner”. Veja o Item 1.C, neste Artigo.

SESSÃO EM EXPANSÃO. Favor Aguardar.

5. HISTÓRIA DOS FÓSFOROS:

´É isso mesmo, História dos palitos de fósforo!

Como vimos no Item 3, os antigos chineses já conheciam os fogos de artifício, as “luzes de bengala“, antecessoras das modernas “bengalinhas de cor” (como as velas magnesianas). Já eram “fósforos”, mas não se destinavam como função primária, a serem objetos para “acender fogo, embora pudessem ser usados para isso.

A pólvora comum, “pólvora preta” foi também uma invenção chinesa. SZCZEPANSKI, K. (2019).

Mas a pólvora moderna, de preparação não extemporânea, e composta de 75 % de salitre (nitrato de potássio), 15 % de carvão vegetal em pó e 10 % de enxôfre,  é uma evolução da da formulação original do Filósofo Natural e Alquimista Inglês Roger Bacon. Veja este meu Artigo e os Links: 63, 64, 65, 66 THORNDIKE, l. Science, 42, 799 (1915).

Ele teria experimentado com a pólvora em 1218, em uma suas obras de Alquimia Republicada em BACON, R. “De Secretis Operibus Artis et Naturae, et de Nullitate Magiae.” (1218). Republicada por FROBENIUS, G.L. Edição  Bibliopolio Frobeniano, Hamburgo, Alemanha (1618). Primeiramente republicado em (1267). BACON, R.; BREWER. J. S. (Reeditor) “Rogeri Bacon Opera Quaedamhactenus. Opus Tertium. Compedium Philosophiae.” Editora Longman, Green, Longman and Roberts, Londres, Inglaterra (1859). BACON, R. “Opus Majus” (1267). Veja vários links aqui.   Link 67.

BACON, R. em Opus Majus, citação: e DAVIES, T.L. (1923, 1924):

“Sed tamen salis petrae. VI. Part V. NOV. CORVLI. ET V. sulphuris, et sic facies toniitrum et coruscationem: sic facies artificium.”

Tradução para o Inglês, da obra BACON, R. “De Secretis Operibus Artis et Naturae, et de Nullitate Magiae.” :   DAVIES, T.L. “Roger Bacon’s Letter Concerning the Marvelous Power of Art and of Nature and Concerning the Nullity of Magic”,  (1922).

“But, however, of salt rock,  (saltpetre) take six parts, live of young willow (charcoal), and five of sulphur, and so you will make thunder and lightning, and so you will turn the trick.”

Minha tradução livre:

“Mas, entretanto, tome seis partes de pedra de sal (salitre), força vital de salgueiros jovens (carvão), e cinco de enxofre, e você poderá fazer raios e trovões, E você vai realizar o artifício.”

A obra de Roger Bacon foi reestudada pelo  Filósofo, Ocultista e Alquimista Inglês John Dee. Link 68. Ele cita a pólvora. Mas voltemos aos fósforos.

Em 1669, o Farmacêutico e Alquimista Alemão Hennig Brandt, em uma tentativa de transformar metais comuns em ouro, baseado em receitas alquímicas antigas, evaporou, na ausência de ar, muitos litros de urina e aqueceu o resíduo com areia e carvão, recolhendo o material sobre água.

Obteve gotas que ao esfriar, formavam um sólido amarelo muito claro, quase branco, que reagia com o ar e ardia espontaneamente, produzindo uma chama brilhante.

A substância obtida, nova, era o fósforo branco. Estava descoberto o elemento fósforo da tabela periódica. Links: 69, 70, 71, 72. Links 73, 74, 75. DRONSFIELD, A.; ELLIS, P. “RSC Education” (2010). ASHLEY, K.; CORDELL, D.; MAVINIC, D. Chemosphere, 84,737 (2011).

Brandt não percebeu a importância da descoberta, mas o Químico Francês Pierre Joseph Macquer lhe deu  o crédito devido. Veja Página 204, em MACQUER, P.J. ; DONALDSON, A. (Tradutor e Editor), “Elements of the Theory and Practice of Chymistry.“Livraria Donaldson, Edimburgo, Irlanda (1777). Link 76. Veja páginas 412-422, em MACQUER, P.J. “Elements de Chemie Pratique.” Vol 2,  Editora Jean Thomas Herissant, Paris, França (1751).

O  elemento fósforo também foi estudado pelo amigo de Brandt, o Químico e Farmacêutico Alemão de nascimento, mas por nobreza de família, cidadão Sueco, Johann Von Lowenstern Kunchel.

Em 1805, Links 77, 78, o Químico Francês Jean Chancel , aluno do famoso Químico Francês Louis Jacques Thénard, (descobridor  do boro e da água oxigenada),inventou o primeiro e pouco prático “palito de fósforo”.

Ele recobriu palitos de madeira, com uma mistura de clorato de potássio, açúcar e borracha de látex não vulcanizada. Eram acesos, ao mergulhar em ácido sulfúrico concentrado!Também ele experimentou adicionar fósforo branco na mistura.

Eram perigosos, porque  lançavam fumaça tóxica no ar e muitas vezes, acendiam sozinhos! Por isso, não puderam ser industrializados.

CONTINUA. ARTIGO EM EXPANSÃO.

2 respostas para “História da Ciência. História dos Fósforos e dos Isqueiros.”

  1. Bom dia. Legal que gostou.
    Na realidade, o artigo vai ser muito aumentado.
    Será uma História completa dos fósforos e de isqueiros de todos os tipos.
    A sessão sobre os fósforos estß sendo ampliada.
    Se quiser vai acompanhando o artigo.
    Obrigado.

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