História da Ciência. História dos Fósforos e dos Isqueiros.


O Químico Alemão Johann Wolfgang Döbereiner , Inventor do Primeiro Tipo de Isqueiro, a "Lâmpada de Dobereiner".
O Químico Alemão Johann Wolfgang Döbereiner , Inventor do Primeiro Tipo de Isqueiro, a “Lâmpada de Dobereiner”. Fonte da Imagem: LAKSHMI, M.; About Scientists Biography (2011).

Autoria de Alberto Federman Neto, AFNTECH.

 Atualizado, Revisto e Ampliado em 18 de Novembro de 2021.

1. INTRODUÇÃO:

Este Artigo trata de assunto relativamente pouco conhecido.  A História dos fósforos e dos isqueiros.

2. O FOGO E OS BRASEIROS PORTÁTEIS:

O fogo é conhecido desde tempos imemoriais, desde o Homem pré-histórico. Links:  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15. 26. 27.

Provavelmente, tudo começou quando o Homem observou as matas, ou as árvores, incendiadas por raios, aprendeu a manter uma fogueira e até a acender uma, usando por exemplo, roletes de madeira dura, links 16, 17, 18, ou as fagulhas obtidas batendo duas pedras de Sílex. Pederneira. Links: 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25.

Antes de existirem os isqueiros, e até depois disso, para poder acender cachimbos, ou as velhas lamparinas de óleo (usadas para iluminação antes da luz elétrica), usavam-se espécies de braseiros portáteis e de mesa, a carvão. Como este: 35.

Ou lâmpadas a óleo. Como estas. links: 28, 29, 30, 31, 32, 33. 38.

De vez em quando, lamparinas  a óleo, tipo “lâmpada de Alladim“, como esta, de prata, Inglesa, da Era Vitoriana. Ou esta, de bronze.

Além de acender cachimbos na mesa, serviam para acender fogões a lenha , link 34, ou  a carvão.

3. O QUE É MAIS ANTIGO, O FÓSFORO OU O ISQUEIRO?

Bom, em sua origem, os fósforos são muito mais antigos!

Os  Alquimistas Chineses, no século VI ao século IX, haviam, links 39, 40, inventado a pólvora e os primeiros tipos de fogos de artifício, 41, 42 , 43,  as chamadas “luzes de bengala“., composições químicas em pó, que queimavam com luz colorida.

Inventaram então, revestir a ponta de uma haste de madeira ou graveto, com uma luz de bengala, formando um antecessor dos “fogos bengalinha“. É um tipo de fósforo!

Na sua origem, porém, os isqueiros são mais recentes…. eles derivam de apetrechos do século XVI, as armas de pederneira!

Mas isso, na origem, porque no caso dos fósforos e isqueiros para acender, propriamente ditos, modernos e atuais…. Pode-se considerar que os isqueiros são anteriores (1823, protótipo 1816) Link 70, aos fósforos (1826), pelo menos os fósforos práticos. Links 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50.

4. OS PRIMEIROS ISQUEIROS:

O primeiro isqueiro mesmo, aparelho para acender, foi inventado (1823) pelo Químico Alemão Johann Wolfgang Dobereiner, link 51. A “Lâmpada de Dobereiner“, da qual fez também várias variações. Links: 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61. O protótipo é de 1816, links: 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88.

Artigos originais da lâmpada de Dobereiner. DOBEREINER, J.W. Ann. Phys., first series, 74, 269 (1823). Link 62. DOBEREINER, J.W. J. Chem. Phys. 38, 321 (1823). Veja também: KAUFFMAN, G.B. Plat. Met. Rev. 43, 122 (1999). WILLIANS, W.D. Bull. Hist. Chem. 24, 66 (1999).

A “Lâmpada de Dobereiner” foi industrializada em escala comercial e usada, mas era um dispositivo  volumoso, caro e pouco prático, além de perigoso (perigo de  incêndio e explosão). O combustível era gás hidrogênio, que era inflamado por uma massa catalítica de “Esponja de Platina“.

Um dos Modelos Comerciais de Lâmpada de Dobereiner, de Fabricação Alemã.
Um dos Modelos Comerciais de Lâmpada de Dobereiner, de Fabricação Alemã. Fonte da Imagem: Wikipedia e Museum Fur Hamburgische Geschichte;(2010).

Muito depois, se substituiu o hidrogênio pelo metanol (álcool metílico). E a platina pelo paládio, mais barato.

No Brasil, em 1966 (eu vi um), ainda haviam isqueiros que usavam metanol e platina ou paládio catalítico.

Em 1828, Dobereiner descobriu a inflamação espontânea do hidrogênio, por compressão seguida de descompressão, e como isso, inventou um segundo isqueiro, muito mais compacto. O “Isqueiro PneumáticoImagem de um. Direitos da Imagem: My-Lighter, A Private Lighters CollectionEm Krefeld, Alemanha (2019).

Embora fosse menor em tamanho, era ainda mais perigoso!

Apesar disso, os isqueiros tipo de Dobereiner, ainda existiam em 1920.

Outras descobertas importantes para a Química, de Dobereiner, incluem as propriedades de muitos elementos químicos e uma classificação desses elementos químicos que se tornaria  antecessora da tabela periódica, as chamadas  “Tríades de Dobereiner“. Link 69. Veja o Item 1.C, neste Artigo.

5. ORIGEM DOS ISQUEIROS MODERNOS:

Ferrocério:

A partir do Mineral Monazita e/ou da Areia Monazítica, link 62, (minerais fracamente radioativos). Após extrair o Tório, o Químico Austríaco Carl Auer Von Welsbach, obteve um resíduo, que por redução, formava o  Metal Misch“. (1885).

Ele deu esse nome, “Metal Misch“, do Alemão “Mischmetall “,”Metal Misto”. Era uma mistura bruta, composta principalmente de Cério e Lantânio, mas contendo todos os outros elementos lantanídeos. 

O “metal Misch” é fabricado no Brasil, rico em lantanídeos, e tem muitos usos tecnológicos. Link 65.

Depois, Welsbach separaria alguns lantanídeos, (Terras Raras) como o Didímio (depois separado em Neodímio e Praseodímio), o Lutécio e o Itérbio. Link 63. VON WELSBACH, C.A., Monatsh. Chem6, 477 (1885). Link 64

Em 1903, Welsbach faria uma liga metálica pirofórica,  combinando ferro ao Metal Misch, ao Cério ou ao Lantânio puros Liga esta que denominou de “Ferrocério“. Depois , foi chamada industrialmente, “Metal Auer“. Quando atritada por um bastão de aço, emitia faíscas.  Link 66. VON WELSBACH, C.A. Patente Americana, US837017A (1903-1906).

Todos conhecem “Ferrocério” é a liga que forma as pedras de isqueiro.  Link 68. A descoberta dele abriu caminho para os isqueiros modernos.

Nos primeiros isqueiros, grandes e de mesa, atritava-se, num bastão de Ferrocério, pederneira, em um outro bastão,  de aço recoberto com um pavio (previamente mergulhado em um reservatório com  gasolina ou querosene).  Eu, quando menino,  cheguei a ver um,  pois meu avô tinha! Nesta imagem, um isqueiro desse tipo, cromado.

De fato, ainda existem modernos isqueiros baseados nesse mesmo princípio,  uma barra de ferrocério, ou uma pedra de Silex, e um reservatório de combustível. Só que portáteis. São as pederneiras de reservatório, ou pederneiras militares. Sejam novas, como antigas.

Baseados nas pederneiras, apareceram diversos isqueiros muito antigos; Alguns já usavam ferrocério, porém ainda sem as rodinhas e  a”Pedra de Isqueiro”.

A Rodinha e a Pedra de Isqueiro:

Por volta de 1908, surge a “rodinha” de aço, que vai atritar a “pedra” de isqueiro. Link 80. Link 81.

Ela se chamaria Flamidor, porque foi inventada e fabricada pelo Italiano Janvier Quercia e resultaria em uma empresa de cachimbos Francesa, a Flamidor. Link 67. Link 68. Link 71. Link 79. Link 82. Veja o uso da “Rodinha e Pedra de Isqueiro, em uma patente de Quercia. QUERCIA, J. Patente Americana, US1702947A (1929). Veja também alguns dos primeiros isqueiros da Flamidor com as “rodinhas e as pedras” de isqueiro.

Nesta imagem, um antigo isqueiro da Flamidor. (1911). Já usa a “Rodinha e a Pedra”, mas não é automático. Fonte da Imagem, Vintage Lighter Book.

A “Pedra de Isqueiro”, feita de Ferrocério, e a rodinha de aço que a atritava, foram chamadas de “Flint”. TOLKIN, L.; “Toledo-Bend.US” (2019).

Isso tenderia a tornar os isqueiros menores, ou mais portáteis. De início, a rodinha era descoberta e acionada manualmente, como depois, apareceria nas modernas “Bingas”.

Isqueiros de Mecha:

Seja já tendo a “Rodinha de Isqueiro”, ou  apenas uma barra de ferrocério,, um dos primeiros tipos de isqueiro simples, foi o chamado “Isqueiro de Mecha”.  Sejam modelos que apenas tenham a mecha e  uma barra de ferrocério (ainda existem na Europa!), Link 77. Ou…

 Aqueles que já tem a  rodinha de aço e a pedra de isqueiro, e uma mecha trançada de algodão embebido em um oxidante (nitrato de potássio ou dicromato de potássio). A fagulha da rodinha e da pedra, acendia a mecha que então ficava em brasa,  e era usada para acender fogo, ou cachimbos, charutos ou cigarros. Um exemplo, este Perplex Americano, de 1920.

Existem atualmente para vender, réplicas  de “Isqueiros de Mecha”. Exemplo, veja links 74, 75 e 76. Observe a rodinha com a pedra e a mecha:

Réplica Moderna de Antigo "Isqueiro de Mecha".
Réplica Moderna de Antigo “Isqueiro de Mecha”. Fonte da Imagem, Amazon.

Eis um “Isqueiro de Mecha” Antigo.

Antigo Isqueiro de Mecha
Antigo Isqueiro de Mecha. Fonte da Imagem: Leilões Alarcon (2015),

Eu vi no começo dos anos 60, “Isqueiros de Mecha”. Meu avô e meu pai, tinham alguns.

Existiram isqueiros grandes, de mesa, que já tinham a “rodinha e a pedra”, com acionamento manual, mas o pavio era ainda preso em uma haste mergulhada no tanque do fluido. De uso manual com as duas mãos.

Em um exemplo, este isqueiro elefante, de bronze, Austríaco, de 1912. Fabricado na Áustria, pela The Northern Electric Lighting Company, Carolina do Norte, EUA. Mecanismo patenteado em Abril de 1912. HOEVET, A.T. Patente Americana, US1027205A.

Mantendo a fricção da rodinha e da pedra, por acionamento manual, mas diminuindo o tamanho do tanque de fluido de isqueiro, (armazenado em forma líquida),  foram criados  isqueiros não de mesa, mas já mais portáteis. Um exemplo é este Isqueiro Austríaco, também de 1912. a empresa que o fabricou, JMCO, se tornaria a IMCO. Link 79. Veja também este isqueiro de  tanque, Irlandês.

Foi também a empresa IMCO da Áustria, uma das primeiras a ter uma ideia de absorver o fluido  em algodão, tornando o isqueiro mais seguro. Veja por exemplo, esta imagem.

Semiautomáticos:

A própria empresa francesa, Flamidor,  após 1906-1908, até 1935, faria os primeiros isqueiros de mesa chamados, “Semiautomáticos”. Neles, a rodinha já era coberta. Leia sobre eles e veja a figura de um, neste link.

Em alguns modelos, a rodinha ainda era descoberta e rodava manualmente, mas o pavio já era coberto por um mecanismo semi automático de mola, como neste isqueiro de 1920. e neste COLIBRI, Suiça, 1930. Neste isqueiro de fabricante desconhecido. Neste outro COLIBRI.  E neste COLIBRI “Kickstarter” (1930); Neste LANCEL, Francês (1930); Neste MORTON, EUA (1930); No EVEREADY, Alemanha (1949); ZUNDER, Alemanha (1940). Neste Isqueiro antigo, Americano; Neste outro isqueiro de fabricante não conhecido; Isqueiro de Mesa POLAIRE; COLIBRI, Suíça (1929);

Levantava-se a alavanca para descobrir o pavio, e se acionava a “rodinha” com a mão. Isso pode ser visto e percebido de maneira inequívoca, neste MEB (Max E. Bernhardt) e nestes NOVA, de 1930. Neste Abdullah Francês de 1930; Neste outro Abdullah “Le Briquet”, França. No MYLFLAM. EUA (1930); Neste Dunhill, Inglaterra (1920); No TELLUS, Alemanha; Neste semiautomático de fabricante desconhecido. No FLAMIDOR Junior (1940).

Max Ellinger Bernhardt foi um artesão  inventor e fabricante dos isqueiros DIPLOMAT,  de alavanca. Ele era Americano, mas descendente de Alemães.

Essa alavanca que cobria o pavio, pôde até ser aperfeiçoada, cobrindo todo o corpo do isqueiro,  e protegendo do vento, como nestes semiautomáticos  da SKKK, Japão. Mas isso só muito depois, já nos anos 40 e 50.

A partir desses tipos de isqueiros  mostrados nesta Seção 5 , derivariam os isqueiros modernos.

6.  OS ISQUEIROS, SE MODERNIZANDO:

Partindo dos Isqueiros Semiautomáticos, em que se levantava a alavanca manualmente e depois girava-se a rodinha, para produzir a faísca… 

Surgiu a ideia de acoplar a alavanca diretamente à rodinha que atritava a pedra. Quando a alavanca era levantada manualmente, ela já atritava a pedra do isqueiro, produzindo a fagulha…

Exemplos: Este Schwaben Zunden da Alemanha (1935); RICARDO, da Itália; SGDG HISPANO da França (1930); PILGRAM, AlemanhaZUNDER 1000 (Alemanha); Isqueiro DOUGLAS (1926).

Uma evolução foi prender a alavanca e a tampa em um mecanismo de mola. Assim que um botão era apertado, a tampa se abria,  a alavanca se movia e os isqueiro era aceso! Veja neste THORENS dos anos 20. E neste IMPERATOR PERFECTO. IMPERATOR (1912).

Chamam-se Semiautomáticos, mas já são…. Automáticos:

Outra evolução foi acoplar a rodinha (que atritava a pedra), com a alavanca, e prender o conjunto todo a uma pequena engrenagem e uma tecla. Apertava-se uma tecla ou botão, a engrenagem movia a roda de isqueiro e o isqueiro acendia! 

Ainda eram chamados isqueiros “semiautomáticos”, mas na realidade, já são isqueiros automáticos, basta apertar um botão ou tecla, e eles acendem!

Há muitos exemplos: RONSON (1926); KARL WIEDEN, Alemanha; Outro KARL WIEDEN (1930). SUPERSNAP, Inglaterra (1950); Isqueiro de fabricante desconhecido; KRON (1930); THORENS ORIFLAM, Suíca (1931); ROBUR, França (1930); CHAMP-O-MATIC, Áustria; (1957); ASCOTMYLFLAM 111 , Holanda; 107 LIGHTER, Inglaterra (1940); RONSON  do Japão, (1950); Outro RONSON; RONSON Duchess (1936); RONSON (1929). HADSON, EUA. ALAIR, França (1932). LUXOUR, França.

Diferenças entre os Mecanismos de Acionamento:

Para o leitor perceber a diferença… Olhando as figuras, você pode perceber as diferenças de design e construção dos isqueiros:

Isqueiro de Tanque; Isqueiro Semiautomático de Alavanca; Outro modelo;

Isqueiro semiautomático com rodinha e pedra. já acoplados à alavanca; outro modelo com esse tipo de mecanismo; outro. Mais outro.

Modelo com alavanca e rodinha movida por engrenagem, ainda chamado “semiautomático”, Outro modelo. Perceba a semelhança com um   modelo já chamado automático. Mais um.

7.  ISQUEIROS MODERNOS E CONTEMPORÂNEOS:

Passamos a ver alguns isqueiros modernos a atuais, associados a algumas marcas e modelos que são ou foram muito representativos na História dos Isqueiros.

Bingas e Relacionados:

Até a primeira guerra, os soldados usavam “isqueiros de mecha”, pois a chama não era visível como nos fósforos. A empresa Inglesa Dunhill, os fabricou.

Por volta da primeira guerra Mundial, 1918, os isqueiros começaram a ser fabricados em escala maior e os soldados, os usavam. Alguns eram artesanais e feitos do cartucho (de latão) de balas de fuzil já disparadas. Eram chamados “Isqueiros de Trincheira”. Veja um, no link 84.

Era isqueiros manuais, a rodinha era girada com a mão e atritava a pedra. Mas a maioria eram “isqueiros de tanque”, veja Item 6. Ainda não havia algodão dentro deles, o fluido era líquido e o pavio mergulhava no líquido, por isso, eram perigosos. Alguns eram de fabricação Inglesa ou Francesa.

Veja a reprodução, uma réplica, de um deles:

Réplica de um Isqueiro de Tanque, da Época da Primeira Guerra Mundial.
Réplica de um Isqueiro de Tanque, da Época da Primeira Guerra Mundial. Fonte da Imagem, Site Etsy.

Eram isqueiros manuais. Na segunda Guerra, 1939-1945, ainda existiam, mas passaram a ter algodão dentro, para absorver o excesso do fluido… Então já pareciam com as “Bingas”, como neste isqueiro Inglês da segunda guerra.

Outros isqueiros tipo “Binga”, artesanalBrookstone, Inglaterra; Irlandês, hexagonal (1935);  fabricante não conhecido (1930); Isqueiros militares da primeira guerra, marca PARR (EUA); Aristocrat, Canadá (1930); Isqueiro marca MINT, Alemanha; Boyers, EUA (1935).

“Bingas” era o nome que no Brasil, se dava a esses isqueiros manuais  mais simples. Apenas a rodinha para girar com a mão, e o pavio, cobertos com uma capa metálica removível.

Houve uma famosa marca Brasileira, a Laci, que fabricava bingas de ferro, ferro cromado e latão, e funcionou até os anos 70.

Mas a mais famosa marca das, no Brasil, chamadas “Bingas”, foi a Alemã VOSPIC. Fabricava um isqueiro de latão, tipo “Binga”, em forma de bala, do qual há vários modelos. Funcionou até a década de 90. Link 86.

Ao ver a figura, o leitor já pode perceber como funcionavam essas bingas VOSPIC:

Isqueiro VOSPIC, Alemanha. Da Década de 30
Isqueiro VOSPIC, Alemanha. Da Década de 30. Fonte da Imagem: Paulão Antiguidades.

Existem até hoje no Brasil, réplicas de boa qualidade das Bingas VOSPIC.

SESSÃO EM EXPANSÃO. FAVOR AGUARDAR.

8. HISTÓRIA DOS FÓSFOROS:

´É isso mesmo, História dos palitos de fósforo!

Como vimos no Item 3, os antigos chineses já conheciam os fogos de artifício, as “luzes de bengala“, antecessoras das modernas “bengalinhas de cor” (como as velas magnesianas). Já eram “fósforos”, mas não se destinavam como função primária, a serem objetos para “acender fogo, embora pudessem ser usados para isso.

A pólvora comum, “pólvora preta” foi também uma invenção chinesa. SZCZEPANSKI, K. (2019).

Mas a pólvora moderna, de preparação não extemporânea, e composta de 75 % de salitre (nitrato de potássio), 15 % de carvão vegetal em pó e 10 % de enxôfre,  é uma evolução da da formulação original do Filósofo Natural e Alquimista Inglês Roger Bacon. Veja este meu Artigo e os Links: 63, 64, 65, 66 THORNDIKE, l. Science, 42, 799 (1915).

Ele teria experimentado com a pólvora em 1218, em uma suas obras de Alquimia Republicada em BACON, R. “De Secretis Operibus Artis et Naturae, et de Nullitate Magiae.” (1218). Republicada por FROBENIUS, G.L. Edição  Bibliopolio Frobeniano, Hamburgo, Alemanha (1618). Primeiramente republicado em (1267). BACON, R.; BREWER. J. S. (Reeditor) “Rogeri Bacon Opera Quaedamhactenus. Opus Tertium. Compedium Philosophiae.” Editora Longman, Green, Longman and Roberts, Londres, Inglaterra (1859). BACON, R. “Opus Majus” (1267). Veja vários links aqui.   Link 67.

BACON, R. em Opus Majus, citação: e DAVIES, T.L. (1923, 1924):

“Sed tamen salis petrae. VI. Part V. NOV. CORVLI. ET V. sulphuris, et sic facies toniitrum et coruscationem: sic facies artificium.”

Tradução para o Inglês, da obra BACON, R. “De Secretis Operibus Artis et Naturae, et de Nullitate Magiae.” :   DAVIES, T.L. “Roger Bacon’s Letter Concerning the Marvelous Power of Art and of Nature and Concerning the Nullity of Magic”,  (1922).

“But, however, of salt rock,  (saltpetre) take six parts, live of young willow (charcoal), and five of sulphur, and so you will make thunder and lightning, and so you will turn the trick.”

Minha tradução livre:

“Mas, entretanto, tome seis partes de pedra de sal (salitre), força vital de salgueiros jovens (carvão), e cinco de enxofre, e você poderá fazer raios e trovões, E você vai realizar o artifício.”

A obra de Roger Bacon foi reestudada pelo  Filósofo, Ocultista e Alquimista Inglês John Dee. Link 68. Ele cita a pólvora. Mas voltemos aos fósforos.

Em 1669, o Farmacêutico e Alquimista Alemão Hennig Brandt, em uma tentativa de transformar metais comuns em ouro, baseado em receitas alquímicas antigas, evaporou, na ausência de ar, muitos litros de urina e aqueceu o resíduo com areia e carvão, recolhendo o material sobre água.

Obteve gotas que ao esfriar, formavam um sólido amarelo muito claro, quase branco, que reagia com o ar e ardia espontaneamente, produzindo uma chama brilhante.

A substância obtida, nova, era o fósforo branco. Estava descoberto o elemento fósforo da tabela periódica. Links: 69, 70, 71, 72. Links 73, 74, 75. DRONSFIELD, A.; ELLIS, P. “RSC Education” (2010). ASHLEY, K.; CORDELL, D.; MAVINIC, D. Chemosphere, 84,737 (2011).

Brandt não percebeu a importância da descoberta, mas o Químico Francês Pierre Joseph Macquer lhe deu  o crédito devido. Veja Página 204, em MACQUER, P.J. ; DONALDSON, A. (Tradutor e Editor), “Elements of the Theory and Practice of Chymistry.“Livraria Donaldson, Edimburgo, Irlanda (1777). Link 76. Veja páginas 412-422, em MACQUER, P.J. “Elements de Chemie Pratique.” Vol 2,  Editora Jean Thomas Herissant, Paris, França (1751).

O  elemento fósforo também foi estudado pelo amigo de Brandt, o Alquimista e Farmacêutico Alemão de nascimento, mas por nobreza de família, cidadão Sueco,  Johann Von Lowenstern Kunchel. Veja: GREGORY, G.; PHILLIPS, R. (Editor), “A Dictionary of Arts and Sciences.” Editora Richard Phillips, Londres, Inglaterra, Vol. I, Pág. 336 (1806). KRAGH, H. “Phosphors and Phosphorous in Early Danish Natural Philosophy.” Editora: Royal Danish Academy of Sciences and Letters, Copenhagen, Dinamarca, Pág 26 (2003). KUNCHEL, J.V.L. ” Öffentliche Zuschrift von dem Phosphor Mirabil .” Tradução automática do Título em Alemão Arcaico: “Documento Público sobre o Admirável Fósforo” (1678).

Em 1805, Links 77, 78, o Químico Francês Jean Chancel , aluno do famoso Químico Francês Louis Jacques Thénard, (descobridor  do boro e da água oxigenada), inventou o primeiro e pouco prático “palito de fósforo”.

Ele recobriu palitos de madeira, com uma mistura de clorato de potássio, açúcar e borracha de látex não vulcanizada. Eram acesos, ao mergulhar em ácido sulfúrico concentrado! Também ele experimentou adicionar fósforo branco na mistura. E usou outras fórmulas a base de clorato de potássio, enxôfre, goma arábica e açucar.

Os “fósforos” de Chancel eram perigosos, porque  lançavam fumaça tóxica no ar e muitas vezes, acendiam sozinhos! Por isso, não puderam nunca ser industrializados.

Muitas tentativas depois foram feitas por vários pesquisadores, Por exemplo, os fósforos Eupyrion” de Heurtner, com cabeça contendo salitre, carvão, açucar e serragem de madeira. (1849). Mas ainda acendidos mergulhando  em ácido sulfúrico, e não riscando. Links: 79, 80, 81, 82.

Os primeiros fósforos “de riscar”, acendiam quando friccionados em uma parede, e muitas vezes,  acendiam sozinhos! Foram inventados pelo Inglês Willian Newton. E continham na cabeça fósforo branco e cera de abelhas. (1832). Ele era um Militar, especializado em explosivos.

Em 1839, o Químico Americano John Hucks Stevenspatenteou uma fórmula mais segura. (ou menos perigosa, em teoria não se inflamava espontaneamente). STEVENS, J.H. Patente Americana US1412A (1839). Ele usava uma cabeça de fósforo branco, e a recobria (para proteger do ar) com Goma Copal, Resina, Álcool e Terebentina, e evaporava os solventes.

Até aí, todos os fósforos químicos eram perigosos.  O primeiro “fósforo de riscar” prático, foi inventado pelo Farmacêutico e Químico Inglês John Walker. A cabeça do palito continha sulfeto de antimônio, clorato de potássio, enxofre e goma arábica. E a lixa de riscar  era lixa comum, de areia. Foram fabricados até 1827, mas não foram um sucesso de vendas.

Mas frequentemente não acendiam porque ficavam úmidos. Vários pesquisadores, então, começaram a usar fósforo branco reativo nas cabeças.

Em 1830, o Químico Francês Marc Charles Sauria substituiu  o sulfeto de antimônio de Walker, pelo fósforo branco. Ele recobria os palitos de madeira com uma mistura de fósforo branco, clorato de potássio, cal e cola. Também usou fósforo branco, enxofre, clorato de potássio e goma arábica, mas voltaria depois a usar sulfeto de antimônio.

Meu Pai contava que quando ele era menino ainda eram fabricados fósforos com fósforo branco, que acendiam riscando na sola do sapato. Mas incendiavam sozinhos, de vez em quando, e eram muito venenosos.

Os primeiros fósforos que só acendem riscando na lixa da caixinha, foram inventados pelo Químico Sueco Gustaf Erik Berggren Pasch. Em 1844.

Ele substituiu o fósforo branco pelo seu alótropo, fósforo vermelho,,, Pondo fim aos envenenamentos nas fábricas de fósforos, mas ainda havia muitas variantes de composição nas cabeças dos fósforos.

Nos fósforos de segurança de Patch, a cabeça do palito continha enxofre e fósforo vermelho. Que foi substituído em 1872, pelo sulfeto de fósforo pré-formado. ZAISS, F. Patente Americana, US125874A (1872). Outro Link.

Começamos a chegar perto dos fósforos modernos, fabricados em grande escala, por máquinas.

Em 1855, o Industrial Sueco Johan Edvald Lundstrom teve a ideia de separar os componentes combustíveis dos fósforos…. O fósforo vermelho foi colocado, não na cabeça do palito, mas mas lixa da caixinha, como é feito hoje.

Assim, inventaria o moderno “Fósforo de Segurança”. A cabeça continha sulfeto de antimônio, goma arábica, clorato de potássio e amido, e a lixa da caixinha continha fósforo vermelho e areia muito fina, aglutinada com Goma Laca.

No mesmo ano, Lundstrom licenciaria sua invenção  para a fábrica Inglesa de fósforos Bryant & May. Link 84.

CONTINUA. ARTIGO EM EXPANSÃO.

2 respostas para “História da Ciência. História dos Fósforos e dos Isqueiros.”

  1. Bom dia. Legal que gostou.
    Na realidade, o artigo vai ser muito aumentado.
    Será uma História completa dos fósforos e de isqueiros de todos os tipos.
    A sessão sobre os fósforos estß sendo ampliada.
    Se quiser vai acompanhando o artigo.
    Obrigado.

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